A televisão estatal do Egipto anunciou a demissão do vice-presidente Mahmoud Mekki, quando o país vive um turbulento fim-de-semana de votação da nova constituição.
O texto proposto, que está a ser votado em duas fases e que no fim de semana passado terá recebido uma pequena vantagem do “sim”, extingue o cargo de vice-presidente.
No entanto, a razão da demissão de Mekki poderá não ser essa. Numa declaração lida na TV estatal, o responsável disse que tinha apresentado a demissão no mês passado mas que os acontecimentos o forçaram a continuar. Juiz de profissão (e reformista) numa altura em que o Presidente, Mohamed Morsi, está num braço de ferro com esta classe profissional, Mekki declarou: “Apercebi-me há algum tempo de que a natureza da política não condiz com a minha génese profissional como juiz”.
O Presidente tinha emitido um decreto anunciando que as suas decisões deixavam de ser sujeitas a recurso, incluindo de qualquer tribunal, e anunciado um referendo ao texto proposto pela Assembleia Constituinte para uma constituição que a oposição diz ser de tendência islamista.
Depois de grandes manifestações, Morsi recuou na falta de possibilidade de desafio às suas ordens, mas manteve o referendo.
Mekki foi apenas o segundo vice-Presidente do Egipto nos últimos 30 anos. Mubarak, que era o vice-Presidente de Anwar Sadat quando este foi assassinado em 1981, só nomeou um responsável para este cargo em 2011, quando começou a revolta que havia de o derrubar, escolhendo o poderoso chefe dos serviços secretos Omar Suleiman.
Mekki ficou conhecido por ter lutado contra reformas judiciais do antigo Presidente Hosni Mubarak em 2005-2006. Nunca acedeu a pedidos de ser ele próprio candidato, dizendo que queria manter-se politicamente independente.
O seu irmão Ahmed Mekki, outro juiz, é o actual ministro da Justiça.

Comentar