A procuradoria de Moscovo quer que o Centro Levada, o único instituto independente de sondagens da Rússia, se registe como “agente estrangeiro”. O director do centro, Lev Gudkov, diz que isso pode ser o fim do trabalho do instituto.
Uma lei adoptada em 2012 obriga todas as organizações que recebam financiamento externo a registarem-se como “agentes estrangeiros”, termo com uma cotação muito negativa – na época de Estaline era usado para descrever os opositores que acabavam fuzilados ou enviados para campos de trabalho; anos 1970 e 80, as autoridades soviéticas usavam-no como sinónimo de espião para se referirem aos dissidentes.
Segundo Gudkov, o financiamento estrangeiro represente anualmente 1,5 a 3% do orçamento anual do instituto, registado como ONG. O aviso da procuradoria, diz o director num comunicado, “mancha a reputação do instituto” e pode afastar os clientes, preocupados com a possibilidade de terem problemas com o poder.
Na prática, afirma Gudkov, o centro ficou “numa situação muito difícil, praticamente obrigando a pôr fim às suas actividades como organização independente”.
No aviso enviado pela procuradoria descreve-se a publicação de sondagens em vésperas de eleições ou os inquéritos sobre a popularidade dos políticos como actividade polícia.
Apesar das pressões e de a lei prever prisão até dois anos para os responsáveis das organizações, muitas ONG têm recusado este registo, diz a BBC.
Em Abril, a associação Golos, que tinha observado as legislativas de 2012 e denunciado fraudes do partido no poder, foi condenada a pagar uma multa de 7500 euros por recusar inscrever-se como “agente estrangeiro”. O Ministério da Justiça ameaçou entretanto encerrar a associação.
A lei obriga a que a expressão passe a ser incluída em todos os materiais produzidos por estas organizações, que ficam ainda obrigadas a fazer relatórios bianuais das suas actividades e a permitir auditorias financeiras realizadas pelo Estado.

Comentar