Um dia histórico para a justiça internacional, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Um gesto histórico”, disse também Stefan Füle, comissário europeu para o Alrgamento da União Europeia. A detenção de Ratko Mladic é um passo importante para que a Sérvia conquiste a sua ambição de aderir à UE, uma notícia que vários líderes mundiais acolheram com regozijo.
A detenção do líder militar dos sérvios bósnios, acusado de genocídio e de ter estado envolvido no cerco de 43 meses a Sarajevo, durante a guerra na Bósnia de 1992 a 1995, e no massacre de Srebrenica em que morreram cerca de 8000 homens e rapazes muçulmanos bósnios, em 1995, era esperada há vários anos, e era considerada uma condição essencial para uma futura adesão da Sérvia à União Europeia. Há 16 anos que Ratko Mladic era procurado, por isso a mensagens de congratulação não se fizeram esperar.
“É um dia histórico para a justiça internaciona"l, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Um passo importante para o fim da impunidade, por isso agradeço ao governo sérvio e ao seu Presidente [Boris Tadic] pelo seu esforço”, adiantou. Poucas horas após a detenção, também o Presidente norte-americano Barack Obama felicitou a captura de Mladic, "que terá agora de enfrentar as suas vítimas e o mundo em tribunal".
Na Sérvia, Boris Tadic disse estar convencido de ter “aberto a porta para alcançar o estatuto de candidato, as negociações e finalmente a adesão à UE”, e lembrou que o país tem cooperado com o Tribunal de Haia para os crimes cometidos na ex-Jugoslávia.
A Sérvia apresentou a sua candidatura à UE no final de 2009 e espera obter o estatuto de candidato até Dezembro, mas apesar de ter sido levantado “um grande obstáculo” com a detenção de Ratko Mladic, como disse Stefan Füle, “é necessário que o trabalho se intensifique com reformas que serão fundamentais para que a Comissão Europeia apresente uma opinião positiva”, sublinhou o comissário europeu. Sobre a mesa está ainda a difícil questão do Kosovo, que declarou a independência da Sérvia em Fevereiro de 2008 contra a forte oposição de Belgrado mas com o reconhecimento de grande parte dos Estados-membros da UE.
Um passo em frente para a Sérvia
“Espero que Ratko Mladic seja transferido sem demora para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia”, disse o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. “A cooperação com o tribunal é essencial para que a Sérvia venha a tornar-se membro da UE”, lembrou. Também para Catherine Ashton, a chefe da diplomacia europeia, este é um importante passo em frente para a Sérvia e para a justiça internacional”.
Líderes de vários países referiram-se à questão da adesão da Sérvia quando reagiram à notícia da detenção de Mladic. O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, considerou-a “uma notícia muito boa, uma decisão corajosa do Presidente sérvio e um passo importante para a integração da Sérvia na UE”. O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte sublinhou, por outro lado, que a integração “não acontecerá automaticamente”. Após a admissão como candidata a Sérvia poderá ter de aguardar muito tempo até ao início de negociações.
Uma questão determinante será também a posição de procurador do Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia, Serge Brammertz, que até agora tem considerado nos seus relatórios que os esforços de Belgrado para deter os responsáveis pelos crimes cometidos durante a guerra na Bósnia “não são suficientes”. Hoje Brammertz já disse que a Sérvia “cumpriu as suas obrigações internacionais” e reconheceu “o trabalho feito pelas autoridades” de Belgrado.
No Reino Unido, o chefe da diplomacia britânica, William Hague, considerou a detenção de Mladic “um momento histórico para a região” e sublinhou que Mladic “está acusado de crimes terríveis cometidos na Bósnia Herzegovina e deve agora enfrentar a justiça internacional”. Agora, adiantou, “os pensamentos estão com as famílias daqueles que foram mortos durante o cerco a Sarajevo e o genocídio de Srebrenica”. Hague apelou ainda a uma rápida transferência para Haia, tal como Ben Rhodes, conselheiro norte-americano para a Segurança, o primeiro a falar pelos EUA.
A captura de Mladic foi também motivo de regozijo na antiga Jugoslávia. “Finalmente a justiça foi feita”, disse o primeiro-ministro esloveno Borut Pahor. “É um passo em frente para a reconciliação”. Também na Croácia, o primeiro-ministro Jadranka Kosor saudou “uma boa notícia para todos, para o mundo inteiro, uma boa notícia para a justiça e o restabelecimento da estabilidade e da paz”.

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