UE condena projecto israelita de construção de novas habitações em Jerusalém Leste

Chefe da diplomacia europeia Catherine Ashton: "Os colonatos são ilegais à luz do direito internacional."

O colonato de Ramot onde o Governo israelita tenciona construir 300 novas casas AHMAD GHARABLI

A União Europeia (UE) condenou nesta sexta-feira os projectos israelitas de construção de novas casas em Jerusalém Leste ao mesmo tempo que sublinhou que a extensão dos colonatos nos territórios ocupados pode “tornar impossível uma solução de dois Estados”.

“Os colonatos são ilegais à luz do direito internacional e ameaçam tornar impossível uma solução de dois Estados”, afirmou a chefe da diplomacia da UE Catherine Ashton, em comunicado. A responsável exortou o Governo israelita a “pôr fim imediato aos seus projectos de colonização da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Leste”. As negociações continuam a ser “a melhor via” para resolver o conflito israelo-palestiniano, disse Catherine Ashton numa altura em que o processo de paz está congelado desde Setembro de 2010.

A responsável lembrou que a UE não reconhecerá qualquer alteração de fronteiras relativamente às que antecederam a guerra de Junho de 1967, incluindo as relativas a Jerusalém, e exceptuando as acordadas entre as partes. Segundo o observatório anti-colonização Terrestrial Jerusalem, uma organização não-governamental (ONG) israelita, contratos foram assinados para a construção de 300 casas no bairro de colonatos de Ramot e outras 797 vão ser propostas aos promotores imobiliários no colonato de Gilo, perto da cidade palestiniana de Belém, na Cisjordânia.

Os colonatos de Ramot e Gilo estão situados em Jerusalém Leste, sector de maioria árabe da cidade santa, ocupado e anexado por Israel depois de Junho de 1967. Um porta-voz do primeiro-ministro israelita Banjamin Netanyahu explicou que “o último projecto de construção de unidades de habitação em Jerusalém não era novo”, afirmando que ele tinha sido “republicado devido a imperativos técnicos e administrativos”.

Aos olhos da comunidade internacional, esta anexação é ilegal, bem como todos os colonatos israelitas em territórios palestinianos ocupados, quer tenham ou não sido autorizados pelo Governo israelita. Mais de 360 mil colonos israelitas vivem na Cisjordânia ocupada e cerca de 200 mil nos bairros de colonização em Jerusalém Leste ocupada e anexada.
 

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