A Turquia proibiu a aviação civil síria de sobrevoar o seu espaço. A Síria retaliou fazendo o mesmo. Os dois países vivem um clima pré-conflito, sobretudo na fronteira que partilham.
O termo “inimigo” não foi usado, mas poderia ter sido porque a decisão parece ter saído de dois países em guerra. A Turquia proibiu no sábado à noite a aviação civil síria de sobrevoar o seu território. A Síria proibiu hoje a Turkish Airlines de passar por cima do seu espaço.
“Fechámos o espaço aéreo à aviação civil tal como já tinhamos feito com a aviação militar. Os vôos civis estavam a ser utilizados para transportar material militar”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Ahmet Davutoglu, citado pela AFP. O Governo sírio, através de um comunicado divulgado pela agência oficial SANA, explicou ter feito o mesmo “em retaliação”.
Na fronteira que os dois estados partilham o perigo aumenta. O Governo de Ancara continua a fazer chegar à linha que separa os dois estados artilharia pesada (já lá estão 250 tanques, lança mísseis e unidades de defesa anti-aérea) e, ontem, chegaram mais dois caças F-16 (ao todo, de prevenção num raio até cem km da fronteira com a Síria, estão 16 caças).
Foi a resposta à presença, do outro lado, de um helicóptero de combate que bombardeara a turca Azmarin, situada a oito km da fronteira. Assad está também a reforçar o número de homens e de armas junto à Turquia, tendo no entanto menos capacidade do que Ancara uma vez que tem os seus meios espalhados pelo país onde trava uma guerra com a oposição, que o tenta derrubar há mais de um ano e meio. Ainda assim, e segundo o jornal libanês Ad Diyar, citado pelo espanhol El País, fez deslocar para a zona baterias de mísseis terra-ar.
A Turquia já anunciara que tratará como “ameaça” qualquer tentativa de aproximação ou agressão da parte do Exército sírio, ao serviço do Presidente Bashar al-Assad.
A Síria já abateu (no Verão) um caça turco que, segundo o Governo de Damasco, entrara no espaço aéreo da Síria. E nas últimas semanas os países trocaram tiros de um lado para o outro da fronteira, também com o argumento que o outro lado começou. O Parlamento de Ancara aprovou uma intervenção armada contra o vizinho — autorizou que tropas turcas permaneçam na Síria durante um ano — caso exista uma ameaça, e esclareceu que não se trata de uma declaração de guerra mas de uma medida que deixa o país preparado caso seja agredido.
No início de Outubro um dos comandantes do Exército Livre da Síria (oposição), Malek Kurdi, disse à agência espanhola Efe que apoia uma intervenção militar turca na Síria mas que, a acontecer, deve ser coordenada com as suas tropas, com a NATO e com o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Comentários