O YouTube será temporariamente proibido no Egipto. O Tribunal Administrativo do Cairo deliberou que o site deve ser castigado e impossibilitado de chegar aos egípcios durante um mês, por manter em linha um vídeo de produção norte-americana considerado anti-islâmico e a razão de violentos motins registados em Setembro no Norte de África e no Médio Oriente.
O site de partilha de vídeos é propriedade da Google, que fez saber, através de um porta-voz, que ainda não recebeu qualquer notificação da justiça egípcia. Não é certo quando a proibição começará a ter efeito, uma vez que este tipo de decisões tem de passar pelo primeiro-ministro ou o ministro da Informação. Neste domingo à tarde, o YouTube continua acessível no Egipto.
A Google pode recorrer da decisão do colectivo de juízes presidido por Hassouna Tawfiq, que disse, segundo o Washington Post, que a sentença se estende a todos os sites que ajudaram a propagar o vídeo. O que inclui, em potência, o Facebook e o Twitter, redes sociais que tiveram um papel central nos movimentos revolucionários na região e, em particular, no Egipto.
O episódio levou um activista egípcio a recordar o regime de Hosni Mubarak (derrubado em Fevereiro de 2011), mas para mostrar que esta sentença é um retrocesso mesmo face ao tempo do antigo ditador. Isto porque, em 2007, um tribunal administrativo vetou uma decisão idêntica de outro tribunal local, que pretendia banir 49 sites de defesa dos direitos humanos.
“É certamente um retrocesso”, afirmou ao Guardian o director para as liberdades civis da Iniciativa Egípcia para os Direitos Individuais, Amr Gharbeia, que em 2007 viu o seu site ser condenado e depois ilibado pela justiça. Um passo atrás de que também se têm queixado, nos últimos meses, os jornalistas egípcios acusados de insultar o Presidente Mohamed Morsi.
Gharbeia considera, no entanto, que estes dois casos não são comparáveis. O activista diz que, ao contrário do que acontece com os media tradicionais, na rede “as pessoas encontrarão formas de contornar a proibição”. “Os tribunais não sabem como funciona a Internet. Estão a recorrer ao mesmo tipo de medidas que usam contra jornais ou radiodifusores”, criticou, sublinhando o perigo de que os egípcios “percam o respeito pelo Estado de Direito”.
No caso mais recente, está em causa um vídeo de 14 minutos intitulado The Innocence of Muslims (A Inocência dos Muçulmanos), que chegou ao YouTube em Julho. Mas foi a versão dobrada em árabe que, em Setembro, chamou a atenção de uma televisão egípcia e gerou protestos violentos por todo o mundo muçulmano. A Google aceitou bloquear o vídeo em países que o consideraram ofensivo, incluindo o Egipto, mas recusou retirá-lo do site, que se encontra por isso banido no Afeganistão, no Paquistão, no Irão, no Bangladesh e no Sudão.

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