Adeptos de futebol tentam perturbar canal do Suez em protesto contra sentença do tribunal

Confirmação de pena de morte para fãs do clube Port Said gera motins. Em causa está o contra o Al-Ahly, do Cairo, em Fevereiro de 2012, em que morreram 74 pessoas.

Um tribunal do Cairo, Egipto, confirmou este sábado as penas de morte e as de prisão contra pessoas julgadas por uma tragédia durante um jogo de futebol em Port-Said, em Fevereiro do ano passado, de que resultaram 74 mortos. Pouco depois, em Port-Said, em Suez e no Cairo uma multidão de adeptos dos clubes envolvidos saiu à rua e há motins nestas cidades.

Um grupo de manifestantes tentou impedir o funcionamento do Canal do Suez, uma artéria fundamental do comércio mundial feito por via marítima, soltando pequenas embarcações à deriva, mal foi confirmada a pena de morte para 21 pessoas envolvidas na violência durante um jogo em Port-Said entre a equipa local e o Al-Ahly (do Cairo, treinado na altura pelo português Manuel José).

O Al-Ahly era o clube conotado com o regime do Presidente Hosno Mubarak, deposto na revolução da Primavera Árabe, e os dirigentes desportivos consideraram que a violência e morte de 74 pessoas se deveu a motivos políticos e não desportivos - o jogo terá sido usado para criar instabilidade e violência que poderia ser aproveitada pelos apoiantes de Mubarak para travar a revolução. A maior parte das vítimas morreu esmagada devido ao pânico gerado por uma invasão de campo atribuída ao clube local, o Al-Masry, mas alguns cairam ou 

O tribunal confirmou as penas de prisão, entre 15 anos e cadeia perpétua, para outros 50 réus. Entre os condenados estão nove polícias, dois vão cumprir 15 anos de prisão – o ex-chefe da segurança de Port-Said, o general Issam Samak; e o general Mohamed Saad que tomou a decisão de fechar as portas do estádio, para que a violência não se espalhasse pela cidade. Acusada de passividade, a acção da polícia foi posta em causa.

O fluxo de navios no Canal não foi porém, afectado, segundo a Reuters, citando a agência noticiosa oficial egípcia, MENA. Port-Said é uma cidade portuária, como o nome indica, já na intercepção do Nilo com o Mediterrâneo. Os adeptos tentaram usar botes de borracha para, subindo o rio Nilo, impedir a passagem dos navios pelo Canal, que está situado numa zona anterior do rio.

No Cairo, adeptos do clube desta cidade atearam fogo à sede de um grupo recreativo da polícia municipal que fica perto da sede da federação de futebol egípcia. Protestavam contra a decisão do tribunal de anular as sentenças de 28 acusados (foram apenas multados), na sua maioria adeptos do Al-Masry. A Reuters diz que o fumo era visível de vários pontos do Cairo.

Os motins em Port-Said têm sido frequentes desde que as sentenças de morte foram anunciadas, em Janeiro, tendo morrido nesta cidade oito pessoas só esta semana (três delas polícias). No dia 3 de Março, lojas fecharam e centenas de manifestantes caminharam em direcção ao canal do Suez, para onde o Governo deslocou blindados de forma a proteger o porto. Os protestos provocaram 40 mortos. 

 
 
 

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