América escolhe Presidente numa eleição renhida até ao fim

Norte-americanos escolhem hoje entre Obama e Romney Darren Hauck/Reuters

Chegou o dia do veredicto para os dois candidatos à Casa Branca. Depois de milhares de quilómetros percorridos, centenas de comícios e milhões de dólares gastos numa campanha que se fez até ao último fôlego, os eleitores norte-americanos são hoje chamados a decidir entre Barack Obama e Mitt Romney. E os resultados na primeira localidade a votar são pouco animadores para quem espera uma noite eleitoral curta.

Foram precisos poucos minutos para os dez eleitores de Dixville Notch concluírem a votação. Na pequena localidade do estado do New Hampshire as urnas abrem às 0h00, e assim que todos os boletins são colocados na urna é feita a contagem sob o olhar atento da imprensa nacional, que aguarda com expectativa pelo primeiro resultado oficial das presidenciais.

Só que este ano, pela primeira vez, Dixville Notch dividiu-se a meio, entregando cinco votos a Obama e cinco a Romney. A localidade vota tradicionalmente nos republicanos, mas em 2008 Obama foi o preferido.

Em Hart’s Location, a outra localidade do New Hampshire que vota mal soa a meia-noite, o Presidente cessante venceu o escrutínio, somando 23 votos contra os nove do candidato republicano.  

Os resultados em Dixville Notch são apenas uma curiosidade, mas reforçam a ideia de que esta poderá ser uma das mais renhidas eleições dos últimos anos.

As últimas sondagens apontam para um empate técnico entre os dois candidatos a nível nacional – algumas colocam-nos mesmo com a mesma percentagem de votos. Mas os Estados Unidos não elegem directamente o Presidente, votando antes para um colégio eleitoral composto por delegados eleitos (segundo regras diferentes) pelos 50 estados. E na dezena de estados em que será decidida a eleição, Obama leva vantagem, ainda que em alguns casos dentro da margem de erro das sondagens.

Não espanta, por isso, que o último dia de campanha tenha sido feito em ritmo frenético, com os candidatos a cruzarem o país para comícios de última hora nos estados decisivos, em operações mediáticas estudadas ao pormenor.

Esforços de última hora

Barack Obama terminou o dia de segunda-feira em Des Moines, no Iowa, num discurso emotivo perante 20 mil apoiantes. Aquele estado foi em 2008 a rampa de lançamento da sua candidatura, quando o então senador do Illinois se estreou nas primárias democráticas com uma surpreendente vitória sobre Hillary Clinton. “Regresso uma vez mais ao Iowa para pedir o vosso voto. Regresso para vos pedir que nos ajudem a acabar o que começámos, porque foi aqui que a mudança começou”, disse o Presidente, de lágrimas nos olhos e voz embargada quando agradeceu a todos os que colaboraram na sua campanha.

Enquanto milhões de americanos votam, o Presidente passará esta terça-feira em Chicago e não tem compromissos agendados. Já o candidato republicano, que vota no estado de Massachusetts, tem previstas deslocações de última hora à Pensilvânia e Ohio. Ontem, num comício naquele estado, Romney voltou a apoderar-se do slogan “Mudança” cunhado por Obama nas últimas presidenciais. “A mudança não se mede em discurso, mede-se em resultados. E em quatro anos, o candidato Obama prometeu fazer muitas coisas mas fracassou redondamente”, afirmou.

Maratona eleitoral

Apesar de a costa Leste dos EUA estar ainda a recuperar da passagem do furacão Sandy, as autoridades acreditam que a votação decorrerá com normalidade. Mais de 30 milhões de eleitores votaram nos últimos dias nos 34 estados que autorizam a votação antecipada. Só na Florida, mais de 4,5 milhões de pessoas votaram antes do dia das eleições, o correspondente a 38% dos eleitores registados e cerca de metade dos que habitualmente se deslocam às urnas.

As urnas começaram a abrir quando eram 6h na costa Leste (11h00 em Portugal continental) e vão fechar progressivamente a partir do final do dia. O Indiana e Kentucky são os primeiros estados a encerrar a votação, às 18h locais (23h em Portugal) e nas seis horas seguintes o mesmo acontecerá nos restantes estados.

Mas a noite eleitoral – que vai ser acompanhada por verdadeiros batalhões de jornalistas – promete ser mais uma maratona do que um sprint.

Às 19h (0h de quarta-feira em Lisboa) encerram as votações em cinco estados e as projecções para a Virgínia, um dos estados decisivos, permitirão desde logo perceber o quão longa será a noite: se Romney não conseguir os 13 delegados eleitos pelo estado a sua estratégia sofrerá um duro revés. Meia hora mais tarde, as urnas fecham em três estados e todos os olhos se irão virar para o Ohio – nas últimas décadas, o candidato vencedor arrebatou sempre aquele estado. Mas também por isso o vencedor só deverá ser anunciado várias horas depois, quando a contagem estiver já bem adiantada.  

Às 20h (1h em Portugal), fecha a votação na Pensilvânia, um estado que os democratas esperam vencer, e na Flórida, um aceso campo de batalha nas eleições mais recentes. As sondagens apontam para uma vitória de Romney, mas caso o desfecho seja o inverso, a vitória de Obama tornar-se-ia mais clara.

Se até aí nada estiver decidido, às duas da madrugada (hora portuguesa) as atenções viram-se para o Colorado e Wisconsin. Os 19 delegados dos dois estados deverão ser repartidos pelos dois candidatos, mas se algum deles conseguir vencer ambas as corridas poderá ficar muito perto da vitória final. O último momento chave ocorrerá perto das 3h, com o anúncio das projecções no Iowa.

Caso não haja vitórias claras em nenhum destes estados e as televisões não conseguirem projectar um vencedor será preciso esperar pelo final das contagens, o que pode acontecer já madrugada alta nos EUA.
 
 
 

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