Tiroteio de sexta-feira em Santa Mónica foi premeditado, revela polícia

Atirador era um jovem de 23 anos com problemas emocionais que não lidou bem com o divórcio dos pais. Mas os motivos para ter iniciado o massacre ainda são desconhecidos.

Estudantes fora do campus depois do tiroteio Joe Klamar/AFP

O tiroteio que aconteceu na cidade de Santa Mónica, na Califórnia, na sexta-feira, e do qual resultaram quatro mortos, foi um acto premeditado levado a cabo por um homem com problemas emocionais, armado com armas poderosas e com, possivelmente, cerca de 1300 cartuchos de balas, disse a polícia norte-americana no sábado. Os motivos do massacre continuam por se desvendar, conta o Los Angeles Times.

As autoridades da justiça ainda não divulgaram o nome do atirador que acabou morto pela polícia. Mas fontes policiais em Washington DC e em Los Angeles revelaram o seu nome: John Zawahri, de 23 anos. Várias fontes, que falaram sob anonimato, revelaram que Zawahri teve problemas com o divórcio dos pais.

O jovem também tinha um historial de problemas psicológicos, disseram as mesmas fontes, que não foram mais específicas. A polícia de Santa Mónica disse no sábado que teve de lidar com o atirador já em 2006 num outro incidente, mas não adiantou mais detalhes porque, na altura, Zawahri era menor.

Jacqueline Seabrooks, chefe da polícia da cidade, informou que os responsáveis já tinham ido à casa na Avenida Yorkshire onde a violência começou. Mesmo antes do meio-dia de sexta-feira, o fogo foi posto na moradia, e as autoridades encontraram os corpos do pai do atirador, Samir Zawahri, de 55 anos, e o do seu irmão mais velho, Chris, de 25 anos.

Seabrooks disse que o atirador esteve “ligado” à Faculdade de Santa Mónica em 2010, mas não acrescentou se tinha estudado lá. A polícia acrescentou que o massacre durou dez minutos com o atirador a deixar um rasto de sangue pelas estradas, normalmente calmas, da cidade. O horror só terminou quando Zawahri, que trazia uma espingarda semiautomática, foi atingido no campus. “Sempre que alguém põe uma vestimenta de algum tipo, sai de casa com um saco cheio de munições … tem um revólver e uma espingarda semiautomática, toma um carro de alguém, dirige-se a uma faculdade, mata mais pessoas e acaba morto nas mãos da polícia”, descreve Seabrooks, “… isso é premeditado”.  

Um amigo próximo da família, que pediu para não ser identificado, disse que o jovem lidava com problemas de saúde mental. “John tinha um fascínio por armas”, disse. “Todos nós estávamos preocupados com isso.” Esse amigo disse ainda que o atirador não tinha emprego e que “todos estão a perguntar-se onde é que ele foi buscar o dinheiro para as armas”.

Violência doméstica e divórcio
Durante o sábado não foi possível obter mais informação sobre o atirador e as suas vítimas. Parte da explicação deve-se à mãe de Zawahri, identificada como Randa Abdou, que se pensa estar fora do país e ainda não foi contactada pela polícia. Mas os investigadores, depois de irem a vários locais do crime, começam a conhecer o quadro da família do atirador, donde emerge um cenário de um lar problemático.

Os pais de John Zawahri estavam divorciados há anos, disseram os vizinhos. Os registos no tribunal mostram dois pedidos de divórcio. O primeiro feito em 1993 por Samir Zawahri. O outro, onde há informação de violência doméstica, feito por Randa Abdou em 1998. A família mudou-se para Yorkshire há cerca de duas décadas, contam os vizinhos. Depois do divórcio, a mãe acabou por ir viver para um apartamento localizado a mais de três quilómetros com um dos filhos. Mykel Denis, que vive no complexo de apartamentos de onde Abdou ficou a viver, descreve-a como sendo uma mulher simpática de ascendência libanesa, que viveu com um filho “zangado”, e que este gritava quando se enfurecia.   

Denis dizia que ouvia frequentemente o homem “aos berros, a gritar e a maldizer”, e muitas vezes esses acessos de fúria ocorriam quando estava sozinho em casa. Outra vizinha, Beverly Meadow, descreveu Abdou como uma mulher franzina. Segundo a vizinha, Abdou foi ao Líbano numa viagem de um mês e deve estar de volta a Los Angeles, algures na próxima semana. “Ela é uma mulher querida”, descreve Meadow. “Pequena, doce, sossegada, morena e clássica. Com um filho louco.”

A poucos quilómetros, os colegas de trabalho de Abdou no Rose Café, em Venice – um dos dois lugares onde trabalhava como empregada – tentavam no sábado lidar com o que aconteceu no dia anterior. “Tudo o que consigo pensar é nos modos doces de Randa”, disse Nicole Derseweh, empregada no café, 30 anos, lágrimas nos olhos. “Ela é divertida e brincalhona, está sempre a cantar as músicas do Top 40… Nunca a vi chorar. Nunca falava sobre os filhos.”   

Os colegas de Abdou informaram ainda que a sua melhor amiga, outra empregada, era estudante na Faculdade de Santa Mónica e estava lá a estudar para os exames de final de ano quando John Zawahri se dirigiu para o edifício a disparar. Apesar de ter escapado sem ferimentos, a estudante confessou que estava a pensar pedir apoio psicológico.

De acordo com a polícia, John Zawahri, estava vestido de preto e carregava uma espingarda semiautomática quando saiu da casa do seu pai depois de ter posto fogo no local. Aí começou o terror nas ruas da cidade. Feriu uma condutora num carro, obrigou outra condutora a transportá-lo para o campus universitário. Pelo meio disparou contra um autocarro da cidade, matou depois Carlos Franco, um homem de 68 anos que estava no seu carro num parque de estacionamento com a filha, que também foi atingida e está no hospital onde não se espera que sobreviva.

Quando chegou à faculdade, correu no campus e trocou disparos com a polícia, disparou ainda contra uma estudante de meia-idade que morreu no hospital. Dentro da faculdade, na biblioteca, as trocas de tiros continuaram até o homem ser atingido pela polícia e morrer fora do edifício no passeio.

A investigação para perceber o que provocou o massacre continua. No sábado, revelou a chefe de polícia da cidade, o jovem iria completar 24 anos.

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