Os taliban do Paquistão anunciaram numa carta enviada a um jornal diário que as suas condições para um cessar-fogo incluem a adopção da lei islâmica e a desvinculação das Nações Unidas.
Os taliban também exigem que o Paquistão deixe de se envolver na guerra dos insurrectos das regiões fronteiriças do Afeganistão contra o Governo de Cabul, para de dedicar exclusivamente à “operação de vingança” contra a Índia – os dois países disputam há décadas a região da Caxemira.
Um porta-voz do Governo de Islamabad classificou as exigências dos taliban como “absurdas” e denunciou aquele grupo como “um bando de criminosos”. “Ninguém levará esta proposta a sério e seguramente ninguém aceitará negociar com os taliban, que não são uma entidade aberta a conversações”, sublinhou à Reuters.
Num telefonema com aquela agência, um dirigente taliban confirmou os termos da proposta enviada ao diário The News. “Estamos disponíveis para um cessar-fogo com o Paquistão desde que as nossas condições sejam respeitadas”, sublinhou Ihsanullah Ihsan.
Aquele responsável repetiu as exigências avançadas na missiva: o Governo deve reescrever a Constituição de acordo com a lei islâmica e também mudar a linha da sua política externa, deixando de se “comportar como um mercenário contratado pela América”. “O seu principal erro foi querer travar a guerra da América no Afeganistão, e com isso trazê-la para o território paquistanês”, explicou Ihsan.
A carta, assinada pelo porta-voz Amir Muawiya, parece confirmar a tese de uma cisão entre a liderança dos taliban paquistaneses, antecipada por fontes militares da NATO citadas pela agência britânica, que há cerca de um mês apontaram uma disputa pelo poder na cúpula do grupo de insurrectos.
Segundo as informações secretas militares, o líder dos taliban no Paquistão, Hakimullah Mehsud, teria sido ultrapassado pelo seu número dois, Wali ur-Rehman, que está mais aberto à reconciliação com as autoridades do Paquistão – uma notícia que o grupo desmentiu oficialmente.
Conhecidos como Tehreek-e-Taliban Pakistan, os insurrectos paquistaneses são uma entidade separada do grupo de taliban do Afeganistão, com quem muitas vezes estão publicamente em desacordo.
A carta surge num momento em que as forças internacionais da NATO no Afeganistão estão em transição de uma missão de combate para um papel de treino e apoio às autoridades nacionais, que recuperaram a responsabilidade pela segurança do seu território.
O fim da operação militar está a ser acompanhada por intensa actividade diplomática, com vários líderes a defenderem a realização de negociações de paz com os líderes tribais e a insurreição taliban.

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