A dirigente oposicionista birmanesa Aung San Suu Kyi pediu este sábado a libertação dos presos políticos no seu país e declarou-se disponível para trabalhar na reconciliação nacional e democratização.
“Um prisioneiro de opinião é demais [...] Lembrem-se deles por favor e façam o que estiver ao vosso alcance para conseguir a sua libertação incondicional o mais depressa possível”, pediu em Oslo, no discurso de aceitação do Prémio Nobel da Paz que lhe foi atribuído em 1991. Suu Kyi quer evitar o risco de “os desconhecidos serem esquecidos”.
“O meu partido, a Liga Nacional para a Democracia, e eu própria estamos disponíveis e desejosos de desempenhar um papel no processo de reconciliação nacional”, disse a agora deputada, noutra passagem do seu discurso.
A Prémio Nobel, que só agora pode receber o prémio que lhe foi atribuído há duas décadas, lembrou também que “as hostilidades não cessaram” no seu país, apesar de o regime que governou a Birmânia durante meio século ter iniciado uma abertura política. As mudanças deram origem à sua libertação, em Novembro de 2010, e eleição, no passado mês de Abril, para um Parlamento ainda controlado maioritariamente pelo poder militar.
Suu Kyi aludiu também à violência no seu país, apesar de não ter tomado posição sobre os confrontos que, nos últimos dias, eclodira no estado de Rakhine, no Oeste, entre muçulmanos rohingyas e budistas rakhine .
“As hostilidades não cessaram no extremo Norte [com os kachin]. No Oeste, a violência comunitária toma a forma de incêndios e de assassinatos, que ocorreram imediatamente antes do início da viagem me trouxe aqui”, disse.
A violência entre budistas rakhine e muçulmanos rohingyas, uma minoria sem direitos de cidadania do estado de Rakhine, provocou 50 mortos e 54 feridos desde 28 de Maio, segundo a imprensa do Estado. A informação, divulgada este sábado, não indica se o balanço inclui dez muçulmanos linchados a 3 de Junho por budistas que pretenderiam vingar a violação de uma mulher rakhine.
Na cerimónia em que foi atribuído o prémio a Suu Kyi, o presidente do comité Nobel, Thorbjoern Jagland, disse esperar que também o laureado em 2010, o dissidente chinês Liu Xiaobo, recebe um dia o prémio em Oslo.

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