Durante 24 anos, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi não pôde sair da Birmânia, corria o risco de não conseguir voltar a entrar. Mas nesta terça-feira a líder da oposição birmanesa aterrou em Banguecoque, para participar no Fórum Económico Mundial na Ásia Oriental.
É uma visita histórica, depois de duas décadas em que Suu Kyi esteve quase sempre em prisão domiciliária. A líder da Liga Nacional para a Democracia não pôde receber pessoalmente o prémio Nobel quando este lhe foi atribuído em 1991, nem visitar a família no Reino Unido, mas agora as reformas políticas no seu país fizeram-na acreditar que poderá regressar à Birmânia.
Na agenda da sua deslocação à Tailândia está uma visita a um campo de refugiados, para se encontrar com alguns dos birmaneses – serão 130.000, ao todo – que atravessaram a fronteira para fugir à repressão na Birmânia.
Para o próximo mês está prevista uma visita à Europa, onde Suu Kyi deverá ir à Noruega aceitar formalmente o Nobel, ao Reino Unido mas também a França ou à Irlanda. Para já, antes de partir para a Tailândia, encontrou-se ainda na Birmânia com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, que a convidou a visitar o seu país.
A visita à Tailândia irá prolongar-se por quatro ou cinco dias. O avião em que Suu Kyi viajou aterrou em Banguecoque ao início da tarde e a Nobel da Paz encarou a viagem como parte da sua nova condição de deputada no Parlamento birmanês. “É parte do meu trabalho”, disse, citada pela AFP.
Esta viagem será, no entanto, encarada como parte das reformas que têm vindo a ser introduzidas na Birmânia, depois de Suu Kyi ter sido eleita e iniciado um entendimento com os militares reformadores e com o Presidente e antigo primeiro-ministro da junta militar, Thein Sein.
Suu Kyi “tem confiança na sua situação e no processo de reconciliação e das reformas políticas em curso”, disse à AFP Pavin Chachavalpongpun, investigador do Centro de Estudos do Sudeste Asiático na Universidade de Kyoto, no Japão.
Durante a viagem irá encontrar-se com a primeira-ministra tailandesa, Yingluck Shinawatra, e nesta quarta-feira irá à província tailandesa de Samut Sakhon, a Sul de Banguecoque, para se encontrar com imigrantes birmaneses na Tailândia. Muitos deles não estão legalizados e vivem em situação muito precária. Por fim, Suu Kyi irá também dirigir-se a diversos chefes de Estado da região no Fórum Económico Mundial da Ásia Oriental, onde também estará Thein Sein.
A Nobel da Paz foi colocada pela primeira vez em prisão domiciliária em 1989, e deste então esteve, ao todo, 15 anos detida em casa, depois de ter visto os militares reverter os resultados das eleições que deram ao seu partido uma vitória esmagadora. Libertada em Maio de 2010, recebeu algum tempo depois o seu passaporte.

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