A líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, anunciou nesta quinta-feira que deseja candidatar-se à Presidência do país.
"Quero ser candidata à Presidência, tenho isso muito claro", disse, num discurso no Fórum Económico Mundial sobre a Ásia Oriental, organizado na capital birmanesa, Naypyidaw. "Se fingisse que não queria ser Presidente, não estaria a ser honesta", acrescentou.
Suu Kyi, Prémio Nobel da Paz, foi eleita deputada nas eleições legislativas parciais de Abril de 2012, após 15 anos de detenção. Já noutras ocasiões deixara entender que uma candidatura presidencial seria inevitável, mas nunca fora tão clara.
A dirigente birmanesa lembrou, no entanto, que a Constituição proíbe que birmaneses casados com estrangeiros possam concorrer à chefia do Estado. E o marido de Suu Kyi, Michael Aris, já falecido, era britânico, tal com os dois filhos do casal.
"Para que eu seja elegível para a Presidência, a Constituição deve ser alterada", disse a inimiga pública n.º 1 da junta militar cuja dissolução, há dois anos, deu início à abertura política, com o Presidente Thein Sein.
A declaração é feita a dois anos das eleições legislativas de 2015, que podem ser o primeiro escrutínio livre no país em mais de meio século. Nas eleições parciais de 2012, a Liga Nacional para a Democracia, de Suu Kyi, conseguiu 43 lugares dos 684 em disputa nas duas câmaras do Parlamento, controladas pelo partido criado pela junta militar.
Desde que foi eleita, a Prémio Nobel deu sinais de aproximação aos militares. Em Março deste ano, assistiu pela primeira vez ao desfile anual das Forças Armadas.

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