Dezenas de milhares de manifestantes bloquearam a principal auto-estrada que liga o Iraque à Jordânia e à Síria na província de Anbar, a ocidente de Bagdad, para denunciar as políticas que descrevem como sectárias do primeiro-ministro, o xiita Nouri al-Maliki.
O bloqueio temporário da auto-estrada, uma via comercial essencial para o país, aconteceu no quarto dia de protestos. “O povo quer a queda do regime”, gritaram milhares, segundo o site da Al-Jazira. Para além de Ramadi, capital de Anbar, houve ainda protestos em Samarra, a norte da capital.
Os últimos protestos começaram depois da detenção de nove dos guarda-costas do ministro das Finanças, Rifaa al-Iassawi, um sunita. Todos foram detidos por militares e acusados de “terrorismo”: os manifestantes pedem a anulação de leis federais antiterrorismo que dizem visar particularmente a minoria árabe sunita.
Iassawi participou no protesto de Ramadi e ofereceu-se para levar um representante dos manifestantes “para negociar com Bagdad”. “Nós só queremos uma revolução”, responderam os manifestantes, segundo descreve a AFP.
“Não vamos negociar nem vamos sair daqui”, afirmou um dos promotores do protesto durante um discurso. “Se as nossas exigências não foram satisfeitas, não teremos outra opção a não ser pegar em armas contra o Governo.”
Este caso está a exacerbar as tensões entre o Governo e a população sunita, priveligiada durante a ditadura de Saddam Hussein e marginalizada desde então pelas novas autoridades árabes xiitas. Para os sunitas, estas detenções são politicamente motivadas – e já foram muitas nos últimos anos a serem vistas assim.
“No terreno, Maliki governa de forma sectária todos os dias”, acusou numa entrevista à televisão pan-árabe Tareq al-Hashimi, o vice-presidente exilado em Doha, que fugiu do Iraque para evitar várias condenações à morte por alegadamente dirigir esquadrões da morte, uma acusação que diz ser falsa.
“Não temos opção a não ser defendermo-nos”, acrescentou ainda Hashimi, justificando assim protestos.
Desde a invasão norte-americana, em Março de 2003, o quotidiano iraquiano é feito de violência e grande parte resulta dos conflitos entre diferentes grupos étnicos e religiosos abertos com o fim do regime de Saddam Hussein e com as decisões tomadas nos tempos da administração norte-americana (divisão do poder de acordo com diferenças sectárias, dissolução das forças de segurança e da máquina do Estado).
Um ano depois da retirada dos últimos soldados dos Estados Unidos, a violência significa que quase todos os dias há mortos em ataques violentos. Um cenário diferente do que se viveu entre 2005 e 2007, quando a guerra entre grupos árabes sunitas (iraquianos e jihadistas estrangeiros) e as milícias xiitas fazia centena de mortos todos os dias.

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