Sudão do Sul: campo de capacetes azuis da ONU foi bombardeado

Os exércitos do Sudão e do Sudão do Sul confrontam-se desde o final de Março Ashraf Shazly/AFP

A aviação sudanesa bombardeou um campo de soldados de manutenção da paz da ONU num estado do Sudão do Sul, junto à fronteira entre os dois países rivais, à beira de uma guerra aberta, indicaram hoje responsáveis do Sudão do Sul e da ONU.

Após a independência do Sudão do Sul, em Julho passado, as relações entre os dois países permanecem muito tensas entre as suas capitais.

O ataque de ontem à noite decorreu num campo junto à pequena localidade de Mayom, no estado da Unidade, rico em petróleo, e junto à fronteira na qual os dois países se confrontam violentamente desde finais de Março, indicou às agências internacionais Gideon Gatpan, ministro da Informação de Estado do Sudão do Sul.

“Não houve vítimas, ninguém ficou ferido”, afirmou, por seu lado, Kouider Zerrouk, porta-voz da missão de manutenção da paz da ONU no Sudão do Sul (UNMISS).

Em contrapartida, o campo sofreu bastantes danos e noutros ataques à bomba ocorridos nas últimas horas, também contra Mayom e a localidade de Bentiu, pelo menos sete pessoas morreram e 14 ficaram feridas, indicou Gideon Gatpan.

Os exércitos do Sudão e do Sudão do Sul confrontam-se desde o final de Março essencialmente em torno da zona de Heglig, rica em petróleo, que assegura cerca de metade da produção de crude do Norte mas que o Sul também reivindica para si.

Heglig está situado a cerca de 60 quilómetros de Bentiu, que Juba (capital do Sudão do Sul) acusa Cartum (capital do Sudão) de bombardear desde a semana passada.

Desde a independência do Sul que Juba e Cartum não se conseguem entender acerca das suas fronteiras, acusando-se mutuamente de alimentar uma rebelião em solo alheio. O petróleo está no centro destas tensões: o Sudão do Sul herdou três quartos das reservas do Norte aquando do estabelecimento das fronteiras, mas permanece dependente dos oleodutos do Norte para poder exportar. Os dois países disputam, por isso, há vários meses, o valor que Juba deverá pagar a Cartum pela passagem do crude pelo Norte.

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