Subida dos preços da alimentação ameaça milhões de pessoas, alerta Banco Mundial

A subida dos preços mundiais da alimentação, devido à seca nos EUA e na Europa de Leste, “ameaça a saúde e o bem-estar” de milhões de pessoas, alertou hoje o presidente do Banco Mundial (BM), noticia a AFP.

Jim Yong Kim, através de um comunicado, afirmou que “os preços alimentares aumentaram de forma brutal e ameaçam a saúde e o bem-estar de milhões de pessoas”, destacando que a África e o Médio Oriente estavam “particularmente vulneráveis”.

Entre Junho e Julho, os preços internacionais do milho e do grão de soja aumentaram respectivamente 25 e 17%, elevando-se a níveis “inéditos”, como indicou o Banco Mundial.

Neste período, os preços alimentares no seu conjunto subiram 10% e deverão “permanecer elevados e voláteis no longo prazo”, inquietou-se o BM.

A organização não-governamental Oxfam considerou que esta informação “deveria fazer despertar os governos e levá-los a tomar consciência da necessidade urgente de uma acção sobre a volatilidade dos preços alimentares”.

A alta de preços foi particularmente brutal em certos países. É o caso de Moçambique, onde o preço do milho subiu 113% num mês, enquanto o sorgo, utilizado por vezes como alternativa ao milho, viu o seu custo aumentar 22% no Sudão do Sul e 180% no Sudão, detalhou o Banco Mundial.

Esta instituição financeira internacional disse que as condições meteorológicas desempenharam “um papel crucial” nesta alta de preços.

“A seca nos Estados Unidos (EUA) prejudicou consideravelmente as colheitas de milho e soja, de que o país é o primeiro exportador mundial”, sublinhou o BM, que acrescenta que o Verão também foi particularmente seco na Federação Russa, Ucrânia e no Cazaquistão.

O BM diz-se “pronto” a aumentar o seu programa de assistência à agricultura, ao qual dedicou mais de nove mil milhões de dólares (sete mil milhões de euros) em 2012.

Na terça-feira, o G-20 estimou que a situação actual nos mercados agrícolas era “preocupante”, mas considerava que “nenhuma ameaça” pesava sobre a segurança alimentar mundial.

Os vinte principais países industrializados e emergentes decidiram então esperar as próximas previsões agrícolas nos Estados Unidos, esperadas para 12 de Setembro, antes de decidirem eventuais medidas.

“Esta atitude expectante é inaceitável”, denunciou Oxfam, que entende que estes países “devem agir já, antes que a evolução dos preços fique completamente fora de controlo e não ponha mais pessoas com fome”.

Em 2007-2008, a subida dos preços alimentares causou os designados motins da fome em vários países, designadamente em África.



Comentários

Os comentários a este artigo estão fechados. Saiba porquê.

Nos Blogues