Saakachvili reconhece a derrota nas eleições legislativas

Mikhail Saakachvili à saída ontem da urna de voto David Mdzinarichvili/Reuters

O Presidente da Geórgia, Mikhail Saakachvili, reconheceu esta terça-feira de manhã a derrota do seu partido nas eleições legislativas de ontem, concedendo o triunfo à coligação liderada pelo milionário Bidzina Ivanichvili.

“É já claro que foi O Sonho georgiano que conquistou a maioria” dos assentos parlamentares em disputa, afirmou Saakachvili, num discurso transmitido pela televisão estatal, antes mesmo da divulgação dos resultados definitivos oficiais do sufrágio. “Isto quer dizer que a maioria parlamentar deve agora formar um novo Governo e eu, enquanto Presidente, e em conformidade com a Constituição, vou facilitar esse processo de forma a que o novo Governo comece a trabalhar”.

Com 29,1% das circunscrições de voto apuradas no que toca à eleição dos 77 deputados escolhidos pelo método proporcional de listas candidatas, a aliança da oposição seguia à frente com 53,11% dos boletins e o Movimento de Unidade Nacional, de Saakachvili, reunia apenas 41,57%, foi avançado no site da Comissão Nacional Eleitoral.

E quanto à repartição dos 73 assentos parlamentares atribuídos por escrutínio nominal maioritário também aqui O Sonho, de Ivanichvili, estava na frente das contagens.

A Comissão Nacional Eleitoral deu igualmente uma taxa de participação acima dos 61%.

Na legislatura cessante, eleita em 2008, o partido de Saakachvili, o qual está no poder desde a Revolução Rosa de 2003, detinha 119 dos 150 lugares que constituem o Parlamento georgiano.

Na primeira avaliação ao sufrágio, a missão de observadores eleitorais da Organização de Segurança e Cooperação na Europa frisou ter-se tratado de “um passo importante” na democracia desta república do Cáucaso, antiga república soviética, apesar de uma campanha que decorreu de forma especialmente tensa e sob denúncias de intimidação de eleitores. “Há ainda alguns problemas cruciais a resolver, mas este sufrágio foi um passo importante na consolidação de eleições democráticas”, no país, é dito no comunicado.

Ivanichvili reclamara a vitória eleitoral já na véspera, assim que foram conhecidas as primeiras projecções de resultados, avaliando que este sufrágio abria a porta a uma mudança democrática “pela primeira vez” no país. A Geórgia passa, com efeito, um momento de definição política, em que a reforma constitucional recentemente feita aumentou significativamente os poderes do Parlamento e do primeiro-ministro, em detrimento dos do chefe de Estado – com efeitos a partir do próximo ano, em que Saakachvili termina o seu segundo e último consecutivo mandato presidencial.

Notícia actualizada às 13h10

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