Responsável chinês pelo planeamento económico acusado de corrupção

Os crimes e esbanjamentos dos funcionários de topo ameaçam o partido. Xi Jinping quer cumprir a promessa e limpar a casa.

Liu Tienan tinha sido promovido em Março Reuters

A notícia surgiu pela primeira vez em Dezembro, no blogue Caijing, e por ali ficou durante meses, sem ser bloqueada pelas autoridades de Pequim, como de costume. Foi o primeiro sinal de que surgiria, no futuro, um anúncio oficial e de que Liu Tienan seria acusado de corrupção.

Não sendo uma figura cimeira do Governo, Liu é um alto funcionário do planeamento económico e foi apanhado na campanha anticorrupção do Presidente Xi Jinping. Uma breve nota da comissão disciplinar dizendo que Liu, chefe de gabinete da Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma, estava a ser investigado surgiu no site do Partido Comunista da China (PCC). E a agência noticiosa chinesa Xinhua, deu a notícia no domingo.

Xi Jinping advertiu várias vezes desde que tomou posse, em Março, que a corrupção, os excessos e a extravagância são prejudiciais ao partido e que iria fazer-lhes guerra. Nos últimos meses, os blogues chineses têm trazido notícias sobre as fortunas acumuladas pelas famílias do ex-Presidente Hu Jintao e do antigo primeiro-ministro Wen Jiabao, mas essas são bloqueadas pouco depois de surgirem.

Já outros funcionários são exemplos dissuasores. Liu é “suspeito de ter violado seriamente a disciplina” do partido e pode ir para a prisão por tempo indeterminado.
 

Liu Tienan, de 58 anos, parecia estar lançado na sua carreira ascendente. Em Março, quando houve mudança de nomes nos cargos mais importantes, Liu foi promovido de director da Administração Nacional da Energia (onde foi responsável pela política do sector) para a chefia da comissão que gere a segunda maior economia do mundo (as previsões dizem que será a primeira em menos de dez anos, que é o tempo do mandato de Xi Jinping).
 

De acordo com o Caijing, Liu envolveu-se numa relação obscura com um empresário com quem fez (ou que ajudou a fazer) empréstimos bancários muito avultados e suspeitos que terão sido usados em negócios imobiliários ilegais. Além disso, terá falsificado as suas habilitações académicas.
 

O enriquecimento ilícito de governantes é considerado um dos maiores riscos para o PCC. A corrupção é um dos principais problemas para a população, sobretudo para a nova classe média mais atenta ao que se passa em Pequim e nos governos regionais e locais, e mais reivindicativa.
 

Xi Jinping, que em Março anunciou a sua própria doutrina económica e social, à qual chamou Sonho Chinês, quer limpar o partido e atenuar o descontentamento que pode ferir PCC e pôr em causa o que ainda não foi questionado — a legitimidade do partido único.
 

O Presidente quer manter a promessa que fez quando foi anunciado que seria o novo líder, em Novembro de 2012. Nessa altura disse que o crime e os “excessos oficiais “iriam acabar”. Fez mesmo uma lista de proibições, entre elas o esbanjamento de verbas públicas em banquetes milionários onde se comiam e bebiam raridades.
 

Já outros altos funcionários foram acusados de abuso de poder e enriquecimento ilícito e Liu não deverá ser o último. A guerra contra a corrupção ainda mal começou, num país que está muito mal cotado nas tabelas dos países mais corruptos do mundo. Na lista que a organização não governamental Transparency International divulgou em Dezembro de 2012, a China aparece na posição 80, atrás por exemplo da África do Sul e da Itália.
 

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