Derrotados candidatos com declarações polémicas sobre violação

Aaron P. Bernstein/Reuters

Durante a campanha, Todd Akin e Richard Mourdock, candidatos do Partido Republicano ao Senado, chocaram o mundo ao dizerem o que pensavam sobre a violação e o aborto. Chegado o dia das eleições, os americanos decidiram castigá-los. E as derrotas dos republicanos no Missouri e no Indiana deitaram por terra as aspirações dos republicanos a uma vitória no Senado.

No Missouri, Akin perdeu para a senadora democrata Claire McCaskill. E perdeu apesar do lugar no Senado McCaskill ser um dos que estavam mais ameaçados – nas últimas eleições para o Congresso, aquele estado voltou-se para a direita, recorda o diário britânico The Guardian.

O partido agradeceu-lhe por tudo, num tweet sarcástico. “Só queria agradecer a Todd Akin por nos ter ajudado a perder o Senado”, escreveu Jason Whitman, presidente do Partido Republicano, no Twitter logo depois de terem sido conhecidos os resultados.

Que Akin era contra o aborto já se sabia. Mas as suas declarações em Agosto indignaram muitos norte-americanos. Numa entrevista à estação televisiva KTVI, o republicano próximo dos ultra-conservadores do Tea Party explicou por que se opõe ao aborto, em qualquer circunstância, mesmo quando a gravidez resulta de uma violação: “Parece-me, pelo que sei dos médicos, que isso é muito raro. Se for uma violação legítima, o corpo da mulher tem formas de tentar resolver essa questão.”

O partido apressou-se a retirar todos os apoios ao candidato. Mitt Romney e o líder do partido no Senado, Mitch McConnell, pediram-lhe que abandonasse a corrida ao Senado, mas ele recusou-se e continuou com a campanha.

No Indiana, o candidato Richard Mourdock, que nas primárias tinha conseguido levar a melhor sobre incumbente Ricard Lugar, e era apontado como possível vencedor do lugar no Senado que disputava com o democrata Joe Donnelly, também arruinou todas as suas hipóteses , depois do que disse sobre a violação num debate no mês passado.

Quando uma mulher engravida depois de uma violação, afirmou, “é porque Deus quis que isso acontecesse”, já que, no seu entender, uma gravidez resulta sempre da vontade de Deus. Mourdock sublinhou que só admitia o aborto em casos em que a vida da mãe estivesse em risco.

Não demoraram a surgir críticas vindas do próprio partido. Apesar de não lhe retirar o seu apoio, como no primeiro caso, o candidato republicano à Casa Branca viu-se obrigado a demarcar-se de Mourdock e disse que não se revia naquelas declarações.

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