Merkel acusa Rússia de violar resolução da ONU ao bombardear Alepo

Merkel foi a Ancara para abordar pedido de ajuda à NATO para monitorizar fluxo de refugiados da Síria para a Europa.

Foto
Davutoglu e Merkel em Ancara ADEM ALTAN/AFP

Angela Merkel declarou-se “horrorizada” com o sofrimento causado pelos bombardeamentos russos na Síria, em apoio do avanço das forças do Presidente Bashar al-Assad para retomar o controlo sobre Alepo, que era antes da guerra o coração económico do país. E tornou claro que considerava a acção de Moscovo uma clara violação da resolução aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em Dezembro, que apelava ao fim dos ataques contra a população civil síria.

“Nos últimos dias, ficámos chocados, mas também horrorizados com o sofrimento que está a ser causado a dezenas de milhares de pessoas com os bombardeamentos – sobretudo do lado russo”, afirmou a chanceler alemã, referindo-se à ofensiva sobre Alepo, que pôs cerca de 30 mil pessoas em fuga da cidade, até à fronteira com a Turquia. O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, afirmou que a entrada destes refugiados será permitida “quando for necessário”.

Mas 350 mil pessoas permanecerão em Alepo, cercadas, espalhadas pelas zonas da cidade e dos subúrbios controladas pelas forças rebeldes. Não arriscam tentar chegar à Turquia, porque sabem que ninguém está a conseguir passar para o lado de lá.

Mas o principal motivo da viagem de Angela Merkel à Turquia era saber como vai Ancara aplicar o fundo de 3000 milhões de euros oferecido pela União Europeia para estancar o fluxo de refugiados sírios, oferecendo melhores condições de vida aos mais de dois milhões que já fugiram para a Turquia. Ahmet Davutoglu disse-lhe que só para a semana o Governo turco terá as primeiras ideias.

Os dois governantes, no entanto, têm uma ideia imediata: pedir a ajuda da NATO para monitorizar o fluxo de refugiados que tentam chegar à Europa a partir da Síria atravessando o mar Egeu. O tema será abordado em conjunto pelos dois países na quinta-feira, num encontro de ministros da Defesa da Aliança Atlântica.

O porta-voz de Merkel adiantou, através do Twitter, que o apoio à guarda costeira turca e à agência de controlo das fronteiras europeias Frontex seria discutido “ao nível da NATO”, sem mais pormenores. A próprio NATO não fez comentários.

Para além disto, a chanceler alemã garantiu que se vai esforçar para que seja cumprida a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança em Dezembro que apelava ao fim dos ataques contra a população civil síria.

Davutoglu afirmou que os bombardeamentos russos não podem ser tolerados a pensar que a Turquia vai aceitar os refugiados daí resultantes. “Há quase 30 mil sírios à espera na nossa fronteira. O desumano ataque contra Alepo tem de parar o mais depressa possível”, afirmou. “Alepo está sob cerco. Há uma grande pressão sobre a Alemanha por causa dos refugiados na Europa. A humanidade está a ser testada na Síria, e temos de enfrentar este teste juntos”, apelou o primeiro-ministro turco.

Organizações humanitárias estão a montar campos de refugiados improvisados do lado sírio da fronteira, para dar apoio aos milhares de pessoas em fuga, por causa do avanço sobre Alepo dos militares de Assad, com o apoio das forças russas e milícias iranianas.

Moscovo está a reagir com indignação às críticas da sua actuação na Síria. O Ministério dos Negócios Estrangeiros acusou o secretário-geral das Nações Unidas de “parcialidade". Em causa estão declarações de Ban Ki-moon publicadas sexta-feira pelo Financial Times, dizendo que a intensificação dos bombardeamentos russos na Síria “teve um impacto muito negativo” nas negociações entre o regime de Damasco e a oposição, que se tinham iniciado em Genebra e foram interrompidas.

Sugerir correcção
Ler 32 comentários