NATO aprova envio de mísseis Patriot para a Turquia

A Aliança Atlântica anunciou ao fim da tarde a instalação de sistemas antimíssil na fronteira com a Síria.

Os sistemas Patriot vão chegar à Turquia "em semanas"

A NATO aprovou o envio de mísseis Patriot para a fronteira entre a Turquia e a Síria, em resposta a um pedido feito por Ancara para se proteger de eventuais ataques de Damasco. A medida – que os responsáveis da NATO dizem ser "puramente defensiva" – foi aprovada no encontro dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos 28 países-membros, que decorre em Bruxelas.

O secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, frisou que a medida é puramente defensiva: “Em caso algum incluirá uma zona de exclusão aérea ou qualquer operação ofensiva.”

Os sistemas de mísseis Patriot serão cedidos pela Holanda, pela Alemanha e pelos EUA e, segundo Rasmussen, poderão chegar à Turquia “em semanas”, depois de cumpridas “todas as questões práticas”, como a aprovação pelos respectivos Parlamentos e as questões logísticas de transporte.

Também presente na reunião de Bruxelas, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, descreveu a guerra civil na Síria como “a maior tragédia política” do século XXI. “Já são perto de 40 mil mortos, cerca de 500 mil refugiados, cerca de um milhão e meio de famílias deslocadas e parece um massacre sem fim”, disse Portas, em declarações à agência Lusa.     

Avolumam-se, entretanto, os sinais de "preparativos eventuais" por parte de Damasco para o recurso a armas químicas, segundo informação oficial, mas sob anonimato, de responsáveis norte-americanos citados pelo New York Times e pela AP.

Esta agência adianta que, nessas circunstâncias, Washington não descarta "opções militares" e pondera dois possíveis cenários para neutralizar o recurso a armas químicas: bombardeamentos aéreos ou raides circunscritos às instalações.

Se o Governo de Bashar al-Assad recorrer a armas químicas, sofrerá uma acção imediata dos Estados Unidos. O aviso foi primeiro feito pela secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, em Praga, onde se encontrava em visita oficial, e horas depois pelo Presidente Obama num discurso na Universidade de Defesa Nacional, ontem em Washington.

É conhecida a relutância da Administração norte-americana em enviar forças para a Síria. Mas as palavras de Obama e de Hillary Clinton foram firmes, embora nenhum tenha sido verdadeiramente explícito quanto ao tipo de resposta a dar.

"Hoje quero que fique absolutamente claro para Assad e para os que estão sob o seu comando: o mundo está atento", disse Obama, que acrescentou: "O uso de armas químicas é e seria totalmente inaceitável. E se cometem o trágico erro de usar essas armas, haverá consequências e serão responsabilizados." Horas antes, Hillary Clinton tinha recusado dar detalhes, mas dissera: "Estamos certamente a planear uma acção, se essa eventualidade [do recurso às armas químicas] se confirmar."

Israel pede autorização para ataque
Além dos Estados Unidos, também o Governo de Israel está preparado para agir contra o regime sírio. Segundo Jeffrey Goldberg, da revista The Atlantic, o executivo liderado por Benjamin Netanyahu procurou já por duas vezes nos últimos dois meses o acordo da Jordânia para lançar ataques às instalações militares sírias onde poderá estar armazenado o arsenal químico de Bashar al-Assad.

Em 2007, a Força Aérea israelita destruiu um reactor nuclear na Síria num bombardeamento sem a autorização da Jordânia. Mas as fontes citadas por Goldberg dizem que os dois países estão agora a coordenar as suas operações, tendo até montado um "gabinete de guerra" que conta também com a participação dos Estados Unidos e de países aliados do Golfo.

Damasco desmente
O alerta surge quando os combates se intensificam em volta de Damasco, com uma luta renhida pelo controlo da capital, e não necessariamente a favor das forças governamentais do Presidente Assad, e quando os serviços secretos norte-americanos registam movimentações das armas químicas "entre instalações" – e não uma transferência para dentro ou fora das mesmas.

O regime de Assad desmente categoricamente a intenção sem dizer se dispõe ou não dessas armas. Numa posição avançada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, citada pelo New York Times, garante que “em circunstância alguma” o Governo de Damasco “usaria armas químicas contra o seu próprio povo”.

O agravamento da situação junto à capital levou na segunda-feira as Nações Unidas a anunciarem uma retirada parcial do seu pessoal da Síria. Também a União Europeia disse que iria reduzir "ao mínimo" as suas actividades na capital. O risco acrescido para os trabalhadores humanitários levou a essa tomada de posição – ao fim de 18 meses de uma guerra que já terá feito pelo menos 40 mil vítimas civis. Os civis foram aconselhados pelos rebeldes das Brigadas Osama bin Zeid a evitar a estrada que liga Damasco ao aeroporto onde estariam a decorrer violentos confrontos.
 
 
 

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