O antigo Presidente do Irão, Akbar Rafsanjani, excluido da lista de candidatos às presidenciais de 14 de Junho, acusou esta quinta-feira a liderança do país de "incompetência" e "ignorância".
As declarações foram citadas no site da oposição Kaleme. "Creio que o país não podia ter sido pior governado, nem que tivesse sido planeado", disse Rafsanjani.
O Conselho de Guardiãos, um órgão de seis teólogos e seis juristas nomeados pelo ayatollah Khamenei, decidiu excluir a candidatura do antigo chefe de Estado e argumentou com a sua idade, 78 anos.
"Não quero pactuar com a propaganda e os ataques deles, mas a ignorância é perturbadora. Eles não percebem o que estão a fazer?", questionou Rafsanjani que optou por não contestar a exclusão - só o ayatollah pode reverter a decisão dos Guardiães e é sabe-se que Khamenei considera Rafsanjani demasiado moderado, preferindo ver na presidência alguém que siga e aplique os príncipios da revolução islâmica.
O antigo Presidente explicou, segundo o Kalema durante um encontro com apoiantes, que não anteviu que a sua candidatura provocasse tanto problema. Tratou-se de uma candidatura apresentada aos Guardiães à ultima hora e animou os que apoiam reformas (os chamados centristas). Os candidatos desta tendência às presidenciais de 2009 foram detidos e ainda se encontram em prisão domiciliária, diz a Reuters.
Rafsanhani, que foi um dos homens que ajudou a criar a república islâmica do Irão que saiu da revolução de 1979, pediu aos cidadãos para "não desesperarem". "Há-de chegar o dia...".
Zahra Mostafavi, filha do ayatollah Ruhollah Khomeini, o fundador da república islâmica, contestou a decisão dos Guardiães. Numa carta que enviou a este órgão, e que o jornal britânico The Guardian cita, pediu que Rafsanjani seja admitido como candidato de forma a que se evite que o Irão se torne uma ditadura.
"Infelizmente, vi que o Conselho de Guardiães bloqueou a candidatura dele. Este acto só tem por objectivo criar uma separação entre dois companheiros do imã [Khomeini] e revela desrespeito pelo entusiasmo e interesse do povo no sistema e nas eleições", diz a carta. A filha de Khomeinei acrescenta que o pai pensou na possíbilidade de Rafsanjani ser o líder espiritual do Irão depois de si. "O afastamento gradual entre vocês os dois [Khamenei e Rafsanjani] é o maior golpe para a revolução. O imã dizia sempre: 'Estes dois são bons quanto trabalham juntos'".
Outro dos excluídos foi Esfandiar Mashaei, o coloborador mais próximo do actual Presidente, Mahmoud Ahmadinejad, que protestou pela desqualificação. Os Guardiães consideram-no um seguidor do actual chefe de Estado e das suas políticas populistas e "que se desviam" dos princípios com o objectivo de enfraquecer o sistema islâmico do Irão.
Ahmadinejad disse que vai falar com o ayatollah para que repense a exclusão de Mashaei. "Na minha opinião não haverá problema com o líder supremo e irei levar o asunto até ele até ao último minuto", disse o Presidente do Irão, acrescentando esperar que "tudo se revolva". A Mashaei chamou "um bom crente" e disse ter perfil para ser um bom líder.
De acordo com os analistas que seguem a política iraniana, são dois os candidatos que podem vencer as presidenciais: o presidente da câmara de Teerão, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chefe dos negociadores iranianos para a questão nuclear, Saeed Jalili. Jalil é considerado o favorito de Khamenei.
Em declarações ao Guardian, o investigador do Washington Institute for Near East Policy, Mehdi Khalji, disse que opção por Jalil será também um sinal do líder espiritual de que Teerão não aceitará negociar qualquer compromisso sobre o seu programa nuclear.
A Agência Internacional de Energia Atómica, que é um organismo das Nações Unidas, divulgou esta quinta-feira novos dados sobre este programa iraniano que diz que Teerão quer acelerar o seu programa de enriquecimento de uranio. Mas conclui também que não há certezas sobe a capacidade técnica do Irão para fabricar armas atómicas - objectivo que o Governo iraniano nega ter.

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