O primeiro-ministro do Mali, Cheick Modibo Diarra, está em prisão domiciliária. Anunciara esta terça-feira a sua demissão depois de ter sido detido pelos militares que em Março realizaram um golpe de Estado.
"Eu, Cheick Modibo Diarra, demito-me com o meu governo nesta terça-feira, 11 de Dezembro de 2012”, disse num breve discurso transmitido pela televisão estatal ORTM. Horas antes, tinha sido detido pelos militares, quando se preparava para viajar para Paris. Segundo membros da sua comitiva ouvidos pela Agence Presse Africaine, era uma viagem por motivos de saúde.
Diarra, que assumiu o cargo de primeiro-ministro interino em Abril, tinha pedido uma intervenção militar internacional no Norte do Mali, controlado por grupos de combatentes islamistas desde Junho passado. Mas o capitão Amadou Sanogo – que liderou o golpe dos militares e agora que tem a seu cargo a reforma do Exército do Mali e tem vindo a ser acusado de interferências no poder político – opunha-se a uma eventual intervenção.
O primeiro-ministro acabou por ser forçado a demitir-se logo um dia depois de os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Estados-membros da União Europeia terem decidido dar início ao treino de uma força militar para ajudar o Governo de Bamako a retomar o controlo daquela região.
Bakary Mariko, porta-voz do grupo de militares que tomou o poder no início do ano e agora obrigou Diarra a demitir-se garantiu que não se trata de um novo golpe de Estado. “O país está numa crise mas ele está a bolquear as instituições”, justificou.
Moradores citados pela agência Reuters contam que em Bamako estava tudo calma nas primeiras horas da manhã.

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