O Presidente da República do Sudão, Omar al-Bashir, emitiu uma ordem para a suspensão do fluxo de crude proveniente do Sudão do Sul através do oleoduto que cruza o seu território até um terminal petrolífero do mar Vermelho.
Esta interrupção impede o escoamento da produção do vizinho Sudão do Sul, que ganhou a independência em Julho de 2011 depois de duas décadas de guerra civil.
“O Presidente Bashir deu ordem ao ministro do Petróleo para parar com o transporte de crude do Sudão do Sul a partir de amanhã, domingo”, anunciou a rádio Omdurman, que é a estação oficial do Sudão, através de um alerta enviado por mensagem de texto para os utilizadores de telemóvel do país.
A decisão, que ainda não foi oficialmente justificada, terá um grande impacto na debilitada economia do Sudão do Sul, que depende quase exclusivamente da produção petrolífera. A agência de notícias estatal Suna informou que o ministro da Informação, Ahmed Belal Osman, prestaria informações sobre “o acordo de cooperação com o Sudão do Sul”, amanhã em Cartum.
O ministro referir-se-á também às acusações de que o Governo do Sudão do Sul tem estado a apoiar a actividade da Frente Revolucionária Sudanesa, que Cartum classifica como uma organização terrorista. No mês passado, Bashir tinha ameaçado travar a exportação se o Governo de Juba não cortasse a sua ligação aos grupos armados que actuam nos estados de Kordofan e do Nilo, e ainda na região de Darfur. O Presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir, rejeita as acusações.
A manifestação de força de Omar al-Bashir face ao vizinho Sudão do Sul surge numa altura em que se tem avolumado a contestação ao seu regime. O descontentamento com a crise económica e a repressão do Governo levou a oposição, organizada na coligação Forças para o Consenso Nacional, a planear manifestações e protestos populares inéditos em Cartum.
“O regime está muito frágil. Vamos começar hoje a preparar as manifestações. Esperemos que o Governo caia em menos de cem dias”, disse à Reuters o líder da aliança da oposição, Farouk Abu Issa.
Os dois países mantêm um longo diferendo sobre o uso do oleoduto, que é o único da região. O impasse na negociação dos custos de transporte e distribuição através daquela plataforma de escoamento, e o desentendimento quanto à divisão e partilha das receitas provenientes da exploração petrolífera, levaram o Sudão a confiscar o petróleo do vizinho do Sul – o que por sua vez motivou a paralisação total da actividade extractiva. Um acordo foi alcançado em Março, permitindo o reatamento da produção e exportação.
Os Governos de Cartum, a Norte, e de Juba, a Sul, disputam a soberania do território fronteiriço de Abyei, onde se situa o poço de petróleo de Heglig que é o maior da região e responde por mais de metade da produção sudanesa. Manobras militares dos Exércitos dos dois países, no ano passado, avivaram o medo de um regresso da guerra civil e motivaram a intervenção diplomática dos Estados Unidos.
Além da demarcação definitiva das fronteiras de cada país, outros pontos de discórdia permanecem sem solução dois anos depois da secessão, nomeadamente o estatuto de milhões de refugiados da guerra civil.

Comentar