Presidente da Bielorrússia adia tomada de posse para Abril

A reeleição de Lukashenko provocou uma vaga de protestos da oposição Sergei Grits/AP

O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, cuja reeleição no passado dia 19 para um terceiro mandato consecutivo motivou uma vaga de protestos da oposição, decidiu ontem adiar, sem explicações, a tomada de posse, apesar de ter decretado o termo de "todas as batalhas políticas" no país.

O líder autocrático de Minsk, 51 anos, deveria ser reinvestido na sexta-feira mas vários activistas da oposição ameaçaram promover nova campanha de protestos, apesar da vaga repressiva dos últimos dias. Nikolai Lozkovik, secretário da comissão eleitoral central, informou que a cerimónia deverá ocorrer durante a primeira quinzena de Abril, mas não explicou o adiamento.

De acordo com números oficiais, Lukachenko venceu as presidenciais com 83 por cento dos votos, contra apenas seis por cento para o candidato da "grande coligação" da oposição, Alexandre Milinkevitch, que acusou o regime de promover um "golpe de Estado constitucional". Os Estados Unidos, União Europeia e diversas organizações internacionais também denunciaram o carácter fraudulento do escrutínio.

O adiamento da cerimónia surpreendeu observadores pela sua imprevisibilidade, num país onde a "máquina estatal" ainda se rege ao ritmo das antigas heranças estalinistas. "É difícil explicar. Penso que a poeira dos protestos não assentou, para além dos julgamentos sumários que ainda decorrem. Provavelmente [Lukashenko] pensa que a situação estará mais calma em meados de Abril", sugeriu à Reuters um residente na capital.

Na sequência da repressão das manifestações da semana passada, Lukachenko decerto que pretenderia evitar o adiamento da sua tomada de posse, pelo facto de a medida poder ser associada à pressão da oposição, apesar de não surgir em público desde 20 deste mês. "Todas as batalhas políticas terminaram", terá referido aos seus ministros, citado pela agência oficial BeITA. "Apesar de alguns distúrbios, o país regressa à ordem, como no passado".

Ontem, vários advogados referiram que 20 dos 400 apoiantes da oposição detidos numa prisão de Zhodino, arredores da capital, entraram em greve de fome. Prosseguiram ainda os julgamentos de centenas de manifestantes, jornalistas, até um diplomata, em diversos tribunais da capital, com penas até 15 dias de prisão por participação nos protestos.

O diário francês Libération referiu que o ex-embaixador da Polónia em Minsk, Mariusz Maszkiewicz, que se encontrava junto às tendas dos manifestantes quando a polícia os retirou à força, também foi condenado a duas semanas de detenção.

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