Posição russa sobre a Síria "nunca mudou e nunca mudará"

Moscovo alega que as declarações do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros foram mal interpretadas.

Os EUA dizem que têm apoiado algumas facções de rebeldes com "ajuda não-letal" Shaam News Network/Reuters

Depois de o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo ter reconhecido que o regime de Bashar al-Assad está a "perder o controlo de cada vez mais território" na luta contra os rebeldes sírios, o Governo vem agora afirmar que a posição de Moscovo "nunca mudou e nunca mudará".

"Infelizmente, a vitória da oposição síria não pode ser afastada", admitiu na quinta-feira Mikhail Bogdanov, que recusou condenar Assad na ONU e nunca admitira antes a hipótese de uma derrota do regime alauita.

"Temos de olhar para os factos diante de nós. O regime e o Governo da Síria estão a perder o controlo de cada vez mais território", afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, citado pela agência estatal RIA.

Depois destas declarações, um porta-voz do Governo russo, citado pela BBC, afirmou que Mikhail Bogdanov "não emitiu qualquer comunicado e não deu entrevistas nos últimos dias". O correspondente da BBC salienta que esta explicação é "tecnicamente correcta", mas o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros falou sobre o assunto "numa reunião sobre o Médio Oriente e o Norte de África na Câmara Pública da Rússia", admitiu um porta-voz do ministério, citado pelo site da estação britânica.

Segundo o mesmo porta-voz, nessa reunião "foi citada a conhecida reivindicação da oposição síria e dos seus apoiantes externos que antecipa uma 'vitória rápida sobre as autoridades de Damasco'". Nesse contexto – prossegue a declaração do porta-voz russo –, o ministro Bogdanov "reiterou a principal posição da Rússia: não há alternativa a uma solução política na Síria no âmbito do Grupo de Acção para a Síria, criado em Genebra, a 30 de Junho".

Na notícia sobre as declarações do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros – que afirmou que "infelizmente, a vitória da oposição síria não pode ser afastada" –, foi referido o apelo ao diálogo feito na mesma ocasião pelo governante: "Se este preço vos parece aceitável pelo derrube do Presidente, o que é que podemos fazer? Nós consideramos que é inaceitável", afirmou Mikhail Bogdanov.

EUA autorizam envio de mísseis Patriot

Em resposta à decisão da NATO de instalar mísseis Patriot na fronteira da Turquia com a Síria, os EUA anunciaram que vão enviar 400 soldados para a área, com a missão de pôr em funcionamento a defesa anti-míssil contra um alegado risco de uso de armas químicas por parte do regime de Bashar al-Assad.

Num discurso perante os militares numa base norte-americana no Sul da Turquia, o secretário de Estado da Defesa dos EUA, Leon Panetta, disse que a queda do regime de Assad "é apenas uma questão de tempo" e frisou que Washington está a apoiar "certas facções da oposição" com "ajuda não letal", segundo o jornal Washington Post.

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