O Papa Bento XVI apelou "ao fim do derramamento de sangue” na Síria e aos “actos de terrorismo na Nigéria”, em particular contra os cristãos, durante a tradicional mensagem urbi et orbi (à cidade e ao mundo).
"Volto a apelar ao fim do derramamento de sangue, a um acesso mais facilitado para a ajuda aos refugiados e aos deslocados e ao diálogo com vista a uma solução política" para o conflito na Síria, disse o Papa, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas na praça de São Pedro, no Vaticano.
Como é habitual, Bento XVI falou sobre conflitos no mundo, com particular destaque para a Síria, a Nigéria e o Mali.
"Sim, que a paz nasça para o povo da Síria, profundamente ferido e dividido por um conflito que não poupa os mais desprotegidos e mata vítimas inocentes", declarou.
"Que o nascimento de Cristo favoreça o regresso da paz ao Mali e da harmonia na Nigéria, onde selvagens actos de terrorismo continuam a matar vítimas, em particular entre os cristãos", disse ainda o Papa.
No 8.º Natal do seu pontificado, Bento XVI deixou uma mensagem de esperança: "A terra abençoada existe, e também hoje, em 2012, a verdade brotou! Há esperança no mundo, uma esperança em que podemos confiar, mesmo nos tempos e nas situações mais difíceis."
Para além da mensagem de esperança e dos apelos à paz nos países devastados por conflitos armados, Bento XVI lançou um apelo à nova liderança do Partido Comunista Chinês, pedindo-lhe que "estime a contribuição das religiões", numa referência ao facto de Pequim não autorizar que os seus católicos reconheçam a autoridade do Papa.
Tempo para Deus num mundo rápido e eficiente
Na Missa do Galo, na noite de consoada, Bento XVI apelou aos indivíduos que encontrem um espaço para Deus no seu mundo preenchido por aparelhos tecnológicos. "Temos tempo e espaço para Ele? Será que não O afastamos? Começamos a fazê-lo ao não termos tempo para Ele. Quanto mais depressa nos podemos mover, quanto mais eficientes se tornam os nossos aparelhos, menos tempo temos. E Deus? A questão de Deus parece que nunca é urgente. O nosso tempo já está completamente preenchido", disse o Papa.
E concluiu: "Não há espaço para Ele. Nem sequer nos nossos sentimentos e desejos há espaço para Ele. Queremo-nos a nós próprios. Queremos tudo aquilo de que nos conseguimos apoderar, queremos a felicidade que está ao nosso alcance, queremos que os nossos planos e os nossos objectivos tenham sucesso. Estamos tão 'cheios' de nós mesmos que não há espaço para Deus.”

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