Há um milhão de sírios a passar fome ou cada vez com mais dificuldade para conseguir alimentos básicos, alertou nesta terça-feira o Programa Alimentar Mundial (PAM), que volta a denunciar as restrições impostas pelo regime de Assad ao trabalho das organizações humanitárias.
Segundo a porta-voz Elisabeth Byrs, a agência da ONU está a distribuir, por mês, alimentos a 1,5 milhões de sírios, mas calcula que o número de pessoas a necessitar de ajuda urgente chegue os 2,5 milhões. O pão é um dos bens que mais têm escasseado – as filas frente às padarias são agora um cenário habitual na maior parte das cidades –, uma vez que as moagens de Alepo, que forneciam a farinha para boa parte do país, foram destruídas.
A intensificação dos combates, sobretudo no Norte do país, onde os rebeldes têm reivindicado sucessivas conquistas, forçou a agência a retirar parte do seu pessoal de cidades onde as necessidades são maiores, como Homs ou Alepo, e não há quem assuma o seu lugar. “O nosso principal parceiro, o Crescente Vermelho [sírio], está sobrecarregado e não tem capacidade para expandir a sua acção”, disse Byrs, lembrando que são muito poucas as agências autorizadas pelo regime a operar no país.
O PAM lamenta também que os seus navios continuem sem ter acesso ao porto de Tartus, uma das poucas cidades poupadas aos confrontos, em cujas imediações funciona uma importante base naval russa. A falta de combustível é outro problema, que se junta à dificuldade que a organização tem tido para encontrar camiões para distribuir a ajuda que encaminhou para os portos sírios – nos últimos meses vários carregamentos com alimentos foram atacados. Problemas, diz Byrs, que estão a limitar a capacidade da agência para distribuir comida com a rapidez necessária.
No final do ano passado, as Nações Unidas lançaram um dos maiores pedidos para angariação de fundos, dizendo precisar de 1500 milhões de dólares para enviar ajuda a quatro milhões de sírios afectados pela guerra, dos quais dois milhões foram obrigados a abandonar as suas casas pelos combates.
Num outro balanço conhecido hoje, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) revela que cem mil sírios engrossaram no último mês os campos de refugiados nos países vizinhos. No início de Janeiro estavam registados 597 mil refugiados, quando no mês anterior rondavam os 500 mil.

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