O caso do desaparecimento de duas crianças em Córdova em Outubro, Ruth e José Bretón, de seis e dois anos, está abalar Espanha, com a polícia e o Ministério do Interior no meio da polémica. Dois relatórios independentes de peritos em antropologia confirmaram que os ossos encontrados numa fogueira, numa propriedade dos avós paternos, são humanos — e não de animais, como tinha concluído o laboratório de polícia científica de Madrid.
Mais: os relatórios de dois peritos bastante conhecidos em Espanha concluem que os restos ósseos são de crianças que tinham dois a seis anos, noticiam jornais como o El País e o El Mundo. Um dos relatórios, a pedido da mãe das crianças, inconformada com os resultados da polícia científica, foi elaborado pelo antropólogo forense Francisco Etxeberria, subdirector do Instituto Basco de Criminologia e que participou na maioria das exumações de valas comuns da Guerra Civil espanhola.
O outro, pedido pelo Governo espanhol depois da polémica instalada, ficou a cargo de José María Bermúdez de Castro, co-director das escavações antropológicas de Atapuerca, no Norte de Espanha, onde se têm descoberto fósseis de antepassados humanos.
Estes resultados aumentam as suspeitas em torno do pai das crianças, detido desde Outubro e acusado do seu desaparecimento. Quase desde o início, a polícia suspeitou de que ele pudesse ter-se vingado da mãe das crianças, matando-as, por ela ter pedido o divórcio.
O pai das crianças, que alertou para o seu desaparecimento, levantou suspeitas por causa de uma fogueira, onde disse ter queimado roupas, objectos e documentos. Os antropólogos forenses do laboratório de polícia científica do Corpo Nacional de Polícia, para onde o caso passou, concluíram no início que os restos ósseos na fogueira não eram humanos, mas de animais. Isto porque as temperaturas para reduzir as cinzas um corpo humano teriam de ser muito altas. Assim, as inúmeras buscas da polícia não deram em nada.
Agora, o ministro do Interior espanhol, Jorge Fernández Díaz, além de confirmar a existência dos dois relatórios, admite ter havido “um erro científico” no relatório da polícia científica que tutela. O pai das crianças, acrescentou o ministro, sabia como fazer uma fogueira para atingir 800 graus: usou uma chapa metálica. "É como fazer um forno crematório", disse Jorge Fernández Díaz.

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