Mauren Ada Ortuya, uma nigeriana de 29 anos, morreu nesta quarta-feira, depois de ter sido torturada no domingo em Bilbau por Aguilar Gómez, um suposto mestre de Kung Fu. A morte da mulher foi confirmada por fontes hospitalares aos jornais espanhóis.
No ginásio as autoridades procuraram mais provas e encontraram ossadas em sacos do lixo. Depois, peritos forenses comprovaram que eram humanas e suspeita-se que pertençam a uma colombiana, adianta o diário espanhol El Mundo, que diz que os dados da vítima constavam num processo de 2006, o que facilitou a confirmação da identidade. Os investigadores fizeram também buscas nos caixotes próximos do ginásio, na casa do treinador e nas imediações, nomeadamente num rio que fica naquela zona.
Agullar não é mestre de shaolin
Inicialmente a imprensa espanhola referiu-se ao suspeito como um conhecido mestre shaolin, o primeiro ocidental a ser aceite no templo budista, e como campeão do mundo e de Espanha em Kung Fu. Mas o El País adianta nesta quarta-feira que o meio das artes marciais não reconhece estas habilitações ao suspeito, com a Federação Espanhola de Karaté a enviar um comunicado a todas as delegações a dizer que Aguilar Gómez nunca foi federado ou associado, assim como nunca ganhou qualquer campeonato espanhol de Kung Fu.
No entanto, desde que regressou a Espanha em 1995, depois de ter estado no Templo Shaolin na China, o suspeito tentou sempre promover-se como mestre nestas artes marciais. Para isso fez vários vídeos e publicações e participou em programas de televisão.
Mas dentro do meio continuou a gerar polémica. “Quando regressou da China queria que todo o Kung Fu passasse por ele. Tinha tido relações com o taekwondo e de repente aparece vestido de laranja como mestre de Kung Fu. Mas nunca apresentou nenhum certificado, que na China dão sempre quando se participa num curso”, afirmou ao El País Juan Carlos Serrato, que no seu currículo também diz que é diplomado em 1994 pelo Templo Shaolin, na província chinesa de Henan, data que coincide com a estadia de Aguilar Gómez.
Por seu lado, o professor Javier Hernández assegura que no seu percurso também se cruzou com o suspeito e diz que finalmente caiu a sua “máscara”. “É preciso ter em conta que o último mestre shaolin morreu há 300 anos e foi o Governo chinês que reabilitou o antigo templo para criar um parque temático e montar um bom negócio”, disse. Tanto Hernández como Serrato contam que Aguilar Gómez organizava muitas viagens à China para estadias no famoso templo e que com isso fazia bastante dinheiro.
Notícia actualizada às 12h51 Acrescenta informação da morte de uma segunda vítima

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