Os membros do Conselho de Segurança (CS) da ONU vão analisar o último relatório de Ban Ki-moon sobre a Guiné-Bissau, datado de 27 de Novembro, no qual o secretário-geral da ONU retoma um apelo feito em 2008 a este orgão da ONU para “aplicar sanções repressivas e direccionadas com vista a travar o desenvolvimento do tráfico de droga” através da criação de “um grupo de peritos encarregue de investigar a identidade e as actividades dos envolvidos no tráfico de droga e criminalidade organizada”.
No relatório em discussão nesta terça-feira, o alto responsável das Nações Unidas alerta para o aumento do tráfico de droga e das violações graves de direitos humanos no país, incluindo as perseguições de opositores, tortura e execuções sumárias, desde o golpe de Estado de 12 de Abril.
O ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Portas está em Nova Iorque para esta reunião e uma outra, na quarta-feira, com o líder da ONU, Ban Ki-moon. A visita do chefe da diplomacia portuguesa marca o fim, a 31 de dezembro, dos dois anos de mandato de Portugal no CS conquistado em 2010.
No documento, Ban Ki-moon responsabiliza as chefias militares e a elite política, no poder desde o golpe que derrubou o Governo do PAIGC, pelo agravamento da situação no país.
“Centenas de quilos de cocaína estarão assim a entrar clandestinamente em cada operação” e cada operação terá lugar “uma ou duas vezes por semana sem nenhuma intervenção dos poderes públicos”, refere ainda o alto responsável das Nações Unidas.
Segundo ele, o tráfico de droga aumentou graças à cumplicidade e "ao apoio de membros das forças de defesa e segurança e das elites políticas", lê-se no documento que pode ser consultado no site da ONU
A 18 de Maio de 2012, cinco semanas depois do golpe, o CS aprovou uma resolução em que “deplorava a persistente recusa do Comando Militar [que tomou o poder pelas armas] em restaurar a ordem constitucional e restabelecer no poder o Governo legítimo democrático da Guiné-Bissau e em retomar o processo eleitoral interrompido pelo golpe militar”.
E impunha sanções direccionadas a três membros do Comando Militar que assumiu responsabilidade pelo golpe – o general António Indjai, hoje Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), o Major-General Mamadu Ture e o general Estevão Na Mena – impondo-lhes a proibição de viajarem.

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