ONU estima que dez milhões de sírios precisem de ajuda humanitária

Conselho de Segurança reúne-se de emergência para discutir escalada do conflito. Tropas de Assad avançam para o interior do país em direcção a Homs e Alepo.

Habitantes de Qusair receberam alguma ajuda alimentar Mohamed Azakir/Reuters

A agência humanitária das Nações Unidas lançou esta sexta-feira a maior campanha financeira da sua história, com o objectivo de recolher cinco mil milhões de dólares (3,7 mil milhões de euros) para responder às necessidades básicas da população da Síria.

Segundo as estimativas da ONU, o número de refugiados da guerra civil que dura desde o início de 2011 naquele país deverá crescer dos actuais 1,5 milhões para mais de 3,5 milhões até ao final do ano. O número de crianças que precisa de ajuda humanitária urgente já vai em quatro milhões – e as organizações humanitárias calculam que mais de 10 milhões de pessoas, ou seja, metade da população síria, esteja nessa situação até ao fim do ano.

O Conselho de Segurança agendou entretanto uma reunião de emergência esta tarde, para discutir a situação na zona desmilitarizada dos Montes Golã, um território sob jurisdição internacional dividido entre Israel e a Síria e onde violentos confrontos entre as duas facções que sustentam e se opõem ao regime de Damasco provocaram já vários feridos no contingente de capacetes azuis.

Os combates entre o Exército da Síria e grupos de rebeldes pelo controlo do posto de Quneitra levaram o Governo austríaco a anunciar a retirada do seu contingente de 380 soldados que compunha mais de um terço da força de manutenção de paz da ONU na região.

“Já não temos liberdade de movimento, a situação está fora de controlo. O perigo iminente para as tropas austríacas chegou a um nível que é inaceitável”, justificou o chanceler, Werner Faymann, numa declaração conjunta com o ministro da Defesa, Michael Spindelegger.

As Filipinas,que mantêm 341 homens nos Montes Golã, também estão a avaliar a sua permanência na missão da ONU.

O Governo de Israel, que reforçou o estado de alerta e movimentou tanques para a zona de fronteira, lamentou a decisão da Áustria. Fontes das forças de defesa israelita confirmaram a presença de tanques e veículos blindados do Exército sírio na zona desmilitarizada, em acções que parecem indicar uma escalada do conflito.

Dentro da Síria, o Exército que sustenta o regime do Presidente Bashar al-Assad procura capitalizar a sua importante vitória na cidade de Qusair, junto à fronteira com o Líbano, com novas ofensivas sobre Homs e Alepo, os dois maiores centros urbanos dominados pelas forças da oposição.

Com o apoio da milícia do Hezbollah, as tropas nacionais reclamaram esta manhã as aldeias de Salhiyeh e Masoudiyeh, e avançam em direcção ao interior do país. 
 
 

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