ONU confirma autenticidade de vídeo que mostra execução de tâmiles

O vídeo foi enviado ao Channel 4 por um grupo chamado Jornalistas para a Democracia no Sri Lanka

O Governo do Sri Lanka acusou hoje as Nações Unidas de estarem a lançar uma “cruzada” para poder acusar Colombo na justiça internacional. A ONU afirmou que um vídeo onde militares do Sri Lanka executam sumariamente tâmiles é autêntico.

Colombo diz que as imagens, gravadas no fim da guerra entre o Exército e os Tigres de Libertação do Eelam Tâmil são falsas. Mas o relator especial da ONU para as Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias, Philip Alston, afirma que isso é mentira.

O vídeo, difundido inicialmente em Agosto no Reino Unido, mostra um homem de uniforme que dispara na nuca de um homem nu, atado e de olhos vendados, junto a campo em que jazem os corpos de vários homens. Outro homem é em seguida abatido.

Para a ONU, é preciso lançar um inquérito imparcial para determinar se o vídeo, enviado ao Channel 4 por um grupo que se intitula Jornalistas para a Democracia no Sri Lanka, constitui prova de crimes de guerra.

O ministro dos Direitos Humanos, Mahinda Samarasinghe, acusa Philip Alston de não ter seguido “o procedimento correcto” ao anunciar a autenticidade do vídeo sem primeiro falar com o Governo. Algo que Colombo só consegue interpretar de uma forma: “Alston está em cruzada para impor à força um inquérito internacional [por crimes de guerra] contra o Sri Lanka”, disse Samarasinghe à AFP.

O Governo do Sri Lanka, que em Maio anunciou ter derrotado totalmente a guerrilha dos Tigres, continua convencido de que este vídeo “foi falsificado”.

Colombo chegou mesmo a entregar a tarefa de apurar a origem do vídeo a quatro peritos, incluindo dois membros das Forças Armadas. Segundo a conclusão unânime, o filme é “uma falsificação”.

Mas Alston também pediu a três peritos para avaliarem as imagens: Daniel Spitz, Peter Diaczuk et Geoff Spivack, sediados nos Estados Unidos e sem quaisquer ligações anteriores ao Sri Lanka. Especialistas em medicina legal, análise de vídeo e armas de fogo, estes homens concluíram que “o movimento da arma e do atirador durante as aparentes execuções são compatíveis com disparos de balas reais”. Spivack “não encontrou provas de ruptura da continuidade do vídeo, bem outras manipulações de imagem”.

Civis apanhados pelos combates
Não cabe a Philip Alston pedir a realização de qualquer inquérito internacional. O porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, Martin Nesirky, disse entretanto que “é crítica a realização de uma investigação completa e imparcial”, mas indicou que um inquérito a alegações de crimes de guerra deve ser conduzido pelo gabinete da Alta Comissária para os Direitos Humanos, em Genebra, Navy Pillay.

A guerra de 37 anos entre os separatistas e Colombo fez entre 80 e 100 mil mortos. Mais difícil é, para já, fazer as contas às vítimas e aos crimes dos últimos meses da ofensiva governamental. Sabe-se que o Exército esmagou os rebeldes que controlavam o Norte e o Nordeste da ilha e há muitas acusações de violência excessiva, sem respeito pelas dezenas de milhares de civis apanhados no meio dos combates.

Em simultâneo, o Governo da maioria cingalesa colocou 130 mil civis de etnia tâmil em acampamentos, obrigando-os a permaneceram no seu interior. No início de Dezembro, começou a permitir-lhes o regresso a casa, mas não sem antes deixarem uma morada, de modo a serem rigorosamente controlados pelo Estado. O objectivo, diz Colombo, é ter a certeza de que entre eles não surgirão novos guerrilheiros.

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