Os monitores eleitorais da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) chumbaram como “cheias de falhas” as eleições presidenciais de domingo na Bielorrússia, que fecharam com uma dispersão violenta por parte das autoridades de dezenas de milhares de manifestantes em Minsk contestando como fraudulenta a recondução do Presidente, Alexander Lukachenko, ao poder.
A Bielorrússia “ainda tem um caminho considerável a fazer” até que as suas eleições sejam aprovadas como livres, sublinhou a organização na apresentação esta manhã da sua avaliação, em Minsk. A contagem dos resultados foi “cheia de falhas” e a resposta ao protesto da noite passada na capital “excessiva”, estima ainda a OSCE, exigindo que as autoridades expliquem as detenções de candidatos, jornalistas e activistas dos direitos humanos.
Com excepção da Rússia, a generalidade da comunidade internacional – em especial os países da União Europeia e Estados Unidos – instaram o regime autocrático de Alexander Lukachenko a libertar prontamente as centenas de pessoas detidas desde a noite da véspera.
Para a Rússia, porém, a repressão da manifestação de dezenas de milhares ontem em Minsk – que Washington descreveu como tendo sido feita com um “uso excessivo da força” – e as eleições, que a oposição no país denuncia como fraudulenta, são uma “questão interna” da Bielorrússia.
“Aquilo que se está a passar lá é, em última análise, um assunto interno de um Estado independente”, comentou laconicamente o Presidente russo, Dmitri Medvedev, numa conferência de imprensa partilhada em Moscovo com o homólogo da Letónia, país da UE com fronteira com a Bielorrússia.
Na noite de ontem a polícia bielorrussa dispersou violentamente dezenas de milhares de manifestantes em Minsk, que denunciavam fraudes maciças no sufrágio e a reeleição, a rasar os 80 por cento dos votos, de Lukachenko, no poder há 16 anos. Centenas de activistas foram detidos, incluindo sete dos nove candidatos que desafiaram o Presidente no sufrágio.
A chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, condenou em termos fortes a repressão, “em especial o facto de vários líderes da oposição terem sido espancados e detidos, incluindo candidatos às eleições presidenciais”.
“Os acontecimentos da noite passada não reflectem os progressos relativos constatados no período pré-eleitoral”, sublinhava Ashton em comunicado, aludindo ao clima de relativa calma com que decorreu a campanha para as eleições, nas quais o regime permitiu a concorrência de vários candidatos da oposição e até a sua participação em debates nas rádios e televisões públicas.

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