Oposição a Putin junta 700 pessoas em Moscovo

Quarenta pessoas foram interpeladas pela polícia. A manifestação fora proibida e muitos optaram por passar por ela, deixando cravos vermelhos no chão.

Navalni, acusado no sábado de crimes de corrupção, esteve na manifestação Alexey SAZONOV/AFP

Perto de 40 opositores ao regime do Presidnete Vladimir Putin foram interpeladas este sábado pela polícia quando participavam numa manifestaçºao, não autorizada, no centro de Moscovo.

O Governo russo advertira que, uma vez que não estava autorizada, haveria medidas para impedir a manifestação. A AFP relata que cerca de 700 pessoas tentaram concentrar-se na Praça Loubianka (onde se situa a sede dos serviços de segurança FSB, que herdou as instalações da KGB), mas esta estava cercada por polícias que foram desviando os participantes do local.

O protesto realizou-se noutro local, nas imediações da praça - muitos participantes atiraram cravos vermelhos para a praça. Entre aqueles que tentaram entrar na Loubianka a polícia interpelou perto de 40, relata a AFP. Entre eles o mais famoso bloger russo, Alexeï Navalni, e o dirigente da Frente de Esquerda, Sergueï Oudaltsov.

Na véspera do protesto, as autoridades tinham feito uma investida contra Alexeï Navalni, um dos principais líderes do movimento contra o regime de Vladimir Putin. O bloger e advogado  foi acusado na sexta-feira de “fraude e lavagem de dinheiro”.

Navalni e o seu irmão são acusados de terem cometido “uma fraude envolvendo mais de 55 milhões de rublos [1,3 milhões de euros], segundo os responsáveis pela investigação citados pela AFP.

Segundo a investigação, Navalni e o irmão, Oleg, convenceram “enganosamente” uma empresa a assinar um acordo para transporte de encomendas postais a preços muito elevados. Foi no quadro deste negócio que os dois irmãos terão “transferido 19 milhões de rublos [474 mil euros]” da sociedade então formada para uma outra conta para “lavar dinheiro que tinham obtido ilegalmente”.

O acusado, Navalni – que é um paladino da luta contra a corrupção na Rússia – disse que teve conhecimento das acusações através dos jornalistas.

“Nada sei.  O meu telefone não pára de tocar. Se bem percebo, eles já não se contentam só comigo e estão também a atacar a minha família”, escreveu na sua conta do Twitter. Horas depois, voltou a escrever que a casa do seu irmão e da sua mãe tinham sido alvo de buscas.

Catapultado para a popularidade no último par de anos – e em particular desde as manifestações maciças que se seguiram às eleições legislativas de Dezembro de 2011 e às presidenciais de Março de 2012, em que a Rússia assistiu a uma vaga de contestação ao regime sem paralelos nas décadas mais recentes –, Navalni tem 36 anos e conquistou seguidores no seu blogue, através do qual denuncia práticas de fraude cometidas ao mais alto nível no aparelho de Estado.

Wall Street Journal descreveu-o como "o homem que Putin mais teme" e a BBC como "consensualmente a única grande figura de oposição a surgir na Rússia nos últimos cinco anos". 

Para além destas novas acusações contra Navlani (que já também já foi acusado em outro caso de desvio de dinheiro), as ofensivas contra a oposição multiplicaram-se nos últimos dias.

Na quarta-feira, Vladimir Putin, no seu discurso anual à nação, atacou a oposição russa, afirmando que “aqueles que recebem dinheiros do estrangeiro e servem os interesses estrangeiros não podem desempenhar um papel na Rússia”

 

 

 
 
 

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