Nova Iorque sem crime violento pela primeira vez em décadas

Um dia sem crime violento: foi a primeira vez que a polícia de Nova Iorque assistiu a uma coisa assim.

Apesar de tudo, a polícia de Nova Iorque avança que aumentaram os furtos, principalmente de smartphones Spencer Platt/Getty Images/AFP

O dia de rara calma aconteceu segunda-feira, mais precisamente das 22h25 de domingo (hora local, mais cinco horas em Lisboa) às 11h20 de terça-feira. Não foi reportado à polícia nem um homicídio ou ataque com armas de fogo ou brancas. Apenas um tiro disparado: um rapaz de 16 anos disparou acidentalmente e atingiu a sua própria coxa.

Paul Browne, o porta-voz da Polícia de Nova Iorque (NYPD), congratulou-se pela “primeira vez desde que há memória”, que a polícia teve um dia assim. “Numa cidade de 8 milhões de pessoas, isto é extremamente raro”, comentou à Reuters Tom Repetto, autor do livro American Police, 1949-2012.







A trégua segue-se a um Verão que os media vinham a classificar como especialmente violento: um tablóide chamou-lhe mesmo o “Verão sangrento”, lembra a emissora britânica BBC.
 
A razão de menos homicídios
Mas de facto o número de homicídios desceu na cidade, com 366 homicídios este ano, comparando com 472 no mesmo período do ano passado. Em comparação, Filadélfia, de 1,5 milhões de pessoas, registou 301 homicídios este ano e Chicago, uma cidade de 2,7 milhões e conhecida pela proliferação dos gangues, registou 462 assassínios no mesmo período.
 
O crime que aumentou foi o de furto, diz a polícia de Nova Iorque, sobretudo de smartphones.
 
Quanto aos homicídios, Tom Repetto diz que a descida no crime violento se deve a “políticas agressivas de prevenção de crime”, especialmente a chamada stop and frisk”, de revistas aleatórias, que conseguiu retirar de circulação muitas armas ilegais. Esta política é criticada pelos que apontam que milhares de jovens negros e latinos são frequentemente parados pela polícia sem razões para isso. O New York Times escrevia, num editorial a questionar esta política, que no ano passado “nova-iorquinos, quase todos inocentes de qualquer crime, foram parados pela polícia quase 700 mil vezes”.
 
E a revista Economist escrevia no seu site um artigo falando sobre as causas da descida no crime violento. Em Nova Iorque, a chamada política das “janelas partidas” era apontada como a razão da descida do crime violento na Big Apple nos anos 1990, e a polícia das revistas pela mais recente descida.
 
Mas em Boston, uma política dedicada sobretudo à perseguição agressiva de líderes de gangues e a sensibilização dos gangues de que prejudicam a comunidade deu o mesmo resultado. A lição a tirar, diz o artigo da Economist, é que a descida dos crimes violentos pode ter várias causas e “não há uma receita para a qual possamos apontar”. 
 

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