Um elemento da equipa de negociações iraniana disse que quaisquer conversações sobre o programa nuclear do país não teriam resultados positivos, devido às exigências feitas pelos seis países que mais estão a pressionar Teerão.
“Falando em termos pessoais, não estou optimista”, disse aos jornalistas Mostafa Dolatyar na embaixada iraniana em Nova Deli. “Eles estabeleceram relações entre assuntos puramente técnicos com assuntos puramente políticos. Enquanto for esta a mentalidade e a abordagem do [grupo] 5+1, ou seja lá como lhe chamam, este jogo nunca terá fim.”
O Reino Unido, a Alemanha, os Estados Unidos, a Rússia e a China – um grupo de países conhecido como P5+1 – pretendiam marcar novas rondas de negociações com as autoridades iranianas, segundo avançou um porta-voz de Catherine Ashton, responsável pela política externa da União Europeia e pelos contactos com a República Islâmica em nome dos seis países.
Mostafa Dolatyar é um diplomata de carreira, lidera o Instituto para os Estudos Políticos e Internacionais – um think tank do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão – e faz parte da equipa de negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Os seus países estão particularmente preocupados com o facto de o Irão poder enriquecer urânio a 20%, o que seria um importante avanço com vista ao desenvolvimento de armamento.
O responsável iraniano disse que o país necessita de combustível para o reactor de Teerão e para fins médicos e que não pode confiar na comunidade internacional para receber o que precisa. “Há um ano, precisávamos com muita urgência e estávamos preparados para pagar em dinheiro, mas agora já temos. Por que razão haveríamos de encerrar as nossas instalações e comprar noutro lado qualquer? Não tem sentido.” Apesar destas declarações, Mostafa Dolatyar não fechou a porta a uma mudança de posição. “Não podemos dar nada por encerrado, tudo pode ser negociado”, disse. “Depende do quadro em que trabalhamos nas negociações e do objectivo final.”

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