Nawaz Sharif pressiona Obama e exige fim de ataques com drones

Novo chefe do Governo toma posse esta quarta-feira. Perante a Assembleia Nacional, disse que os Estados Unidos devem respeitar a soberania e a independência do Paquistão.

Sharif é o primeiro a ser eleito chefe de governo três vezes AAMIR QURESHI/AFP

O novo primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, exigiu esta quarta-feira, de forma inequívoca, o fim dos ataques norte-americanos com drones no país.

Quase 14 anos depois de ter sido deposto num golpe de Estado militar liderado pelo general Pervez Musharraf, Nawaz Sharif regressa à cadeira de primeiro-ministro, tornado-se no primeiro a fazê-lo pela terceira vez nos 66 anos de história do Paquistão independente.

"Respeitamos a soberania de outros e eles devem respeitar a nossa soberania e a nossa independência. Esta campanha [de drones] tem de acabar", disse Nawaz Sharif aos deputados da Assembleia Nacional – a câmara baixa do Parlamento, cujos membros são eleitos por sufrágio directo e que elegem depois o primeiro-ministro, juntamente com o Colégio Eleitoral.

O discurso do novo primeiro-ministro sobre os ataques com drones operados pela CIA teve dois objectivos – por um lado, tomar uma posição clara sobre o que muitos paquistaneses vêem como uma afronta à soberania do Paquistão, e, por outro, afirmar que é preciso encontrar uma solução para os movimentos insurgentes na zona de fronteira. "Temos de perceber as preocupações dos outros sobre nós e temos de expressar as nossas preocupações sobre eles, para encontrarmos uma solução para este problema", disse Nawaz Sharif, cujo partido, a Liga Muçulmana Paquistanesa, tem defendido o diálogo com os combatentes taliban.

Nawaz Sharif foi bastante claro, ao afirmar que "esta chuva diária de ataques com drones tem de acabar", mas não disse de que forma irá convencer o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a derrubar o pilar essencial da sua estratégia militar contra os militantes taliban na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. Para o correspondente da BBC em Islamabd, Ilyas Khan, o objectivo do novo primeiro-ministro é convencer todos os sectores do país de que é preciso compreender os receios norte-americanos e assumir um papel mais activo no combate aos insurgentes, agora que se aproxima a retirada das tropas dos Estados Unidos do Afeganistão, marcada para 2014.

Há apenas uma semana, um ataque com um drone norte-americano no Noroeste do Paquistão matou um dos principais líderes dos taliban paquistaneses, Wali-ur-Rehman, e seis outras pessoas. Foi o primeiro ataque com estes aparelhos comandados à distância depois das eleições legislativas de 11 de Maio. Durante a campanha, o candidato agora nomeado primeiro-ministro, Nawaz Sharif, pôs em causa a aliança com os norte-americanos naquilo a que Washington chama "guerra contra o terrorismo" e a utilização de drones. Também o antigo jogador de críquete e agora político Imran Khan – cujo partido, o Movimento para a Justiça, ganhou as eleições no Noroeste e governará a instável região – acusou Barack Obama de ter faltado à palavra, poucos dias depois de o Presidente norte-americano ter anunciado uma mudança na estratégia da Casa Branca sobre o uso de drones.

De acordo com a organização britânica Bureau of Investigative Journalism, os drones norte-americanos mataram 3587 pessoas desde desde 2004, 884 das quais civis. Para além do uso em operações de luta contra combatentes taliban, os drones estão também a ser alvo de controvérsia devido ao seu uso em território dos Estados Unidos por parte das forças de segurança e de particulares.
 
 

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