Na Albânia não será tolerada uma “revolução tunisina”, avisa o primeiro-ministro

Governo e oposição trocaram acusações por causa das manifestações de sexta-feira Arben Celi/REUTERS

O primeiro-ministro albanês avisou ontem que não será tolerada uma “revolução ao estilo da Tunísia” no país, um dia depois de violentos confrontos entre manifestantes e a polícia antimotim terem causado três mortes — descritas pela oposição como “crimes de Estado”.

“Ninguém se apodera pela violência do poder neste país”, afirmou Sali Berisha, em declarações transmitidas pela televisão, após dezenas de milhares de pessoas terem exigido a demissão do seu Governo nas ruas da capital, Tirana. E instou “todos os albaneses” a participarem numa manifestação, quarta-feira, “contra a violência”. Acusou o líder da oposição (socialista) e presidente da câmara de Tirana, Edi Rama, de ter tentado levar a cabo um golpe de Estado.

Pelo menos três pessoas foram mortalmente alvejadas — uma na cabeça e outras duas no peito, por tiros a curta distância — nos confrontos com a polícia antimotim, na véspera, em que os manifestantes apedrejaram o edifício do gabinete do primeiro-ministro.

A oposição acusa as forças de segurança de terem provocado os conflitos. Foram “crimes de Estado”, denunciou Rama, avisando que as manifestações vão continuar.

“A oposição vai cumprir um dia de luto [ontem], mas, depois de honrarmos aqueles que morreram com uma mostra de liberdade e justiça, garantimos a Sali que o vamos confrontar com toda a responsabilidade histórica e cívica que sentimos em nos livrarmos deste intolerável regime de ladrões”, afirmou.

O Presidente albanês, Bamir Topi, apelou à “calma e maturidade”, para que o país possa “curar as suas feridas, não abrir novas”. E a procuradoria-geral confirmou, entretanto, que foram emitidos mandados de captura contra seis militares da guarda republicana no âmbito de um inquérito à morte dos três manifestantes.

A Albânia, um dos mais pobres países europeus, tem eleições legislativas agendadas para 2013, mas a tensão política tem vindo a aumentar ao longo dos últimos meses, desde que um dos principais aliados de Berisha, o ministro dos Negócios Estrangeiros Ilir Meta, se demitiu em Setembro face a acusações de corrupção.

A oposição exige que o sufrágio legislativo seja antecipado, tendo de resto contestado já os resultados da eleição anterior, em 2009, acusando o Governo de Berisha de corrupção e fraude eleitoral.

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