Morreu o “pai” da revista Veja

Roberto Civita era presidente de um dos maiores grupos de comunicação social da América Latina.

Civita (à direita) numa conferência com Rudy Giuliani, antigo presidente da Câmara de Nova Iorque Reuters

Morreu no domingo à noite, em São Paulo, Brasil, Roberto Civita, presidente do Grupo Abril, um dos maiores da América Latina na área da comunicação, e fundador da revista Veja, criada em 1968 e que hoje vende mais de um milhão de exemplares por semana.

Segundo o jornal O Globo, Civita, de 76 anos, estava internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde era tratado a um aneurisma abdominal.

Civita nasceu na cidade italiana de Milão, onde viveu até aos dois anos. Nos dez anos seguintes, a família mudou-se para Nova Iorque, Estados Unidos. De seguida, emigrou para o Brasil. Roberto Civita regressaria aos Estados Unidos para se formar em Jornalismo e mais tarde em Economia. Quando acabou a faculdade foi seleccionado para trabalhar como estagiário na revista Time, onde esteve um ano e meio, relembra O Globo.

O seu pai, Victor Civita, fundou em 1950, no centro de São Paulo, o Grupo Abril, que teve como primeira publicação a revista Pato Donald Brasil. Daí para cá o negócio não parou de crescer.

Segundo a edição online do jornal O Globo, o grupo tem hoje mais de nove mil funcionários, publica 52 revistas com 4,7 milhões de assinantes e mais de 80 sites. Está também presente na área editorial da educação, onde é líder de conteúdos para professores e alunos, na MTV Brasil e em muitos outros negócios.

Sete das dez revistas mais lidas no Brasil são da editora, onde Roberto Civita esteve desde 1958. Foi ele que propôs ao pai a criação da revista Veja, que, segundo O Globo, é hoje a segunda revista do mundo com maior número de vendas. Foi, há mais de 20 anos, o presidente do grupo Abril.

Civita era também um defensor da imprensa livre. “Existe uma indissolúvel interdependência entre a democracia, a imprensa livre e a livre iniciativa. Sem uma, as outras também sucumbem. Os meios de comunicação independentes são a primeira vítima das tiranias. Sempre que estas se abatem sobre os povos e as nações, cuidam logo de amordaçar a imprensa livre”, escreveu num artigo publicado na Veja em 2012 e hoje citado pelo O Globo.

O empresário acreditava também que o mercado da informação será sempre muito cobiçado, independentemente das transformações que possa vir a sofrer, nomeadamente com o crescimento do jornalismo online, através da Internet. E tinha como fundamental o papel do jornalista, seja qual for o caminho que o mercado de informação siga. “Acho que haverá mudanças impossíveis de se imaginar hoje, mas no conjunto, tenho certeza de que a função de jornalista é necessária, ter alguém que vá buscar a informação é algo necessário e que os amadores não podem fazer. Os amadores, que não têm nada a fazer na vida a não ser entrevistar gente e ouvir um que acha isso, outro que acha o contrário. E quem vai organizar? Quem vai hierarquizar? Isso é coisa para jornalista profissional. Não tenho dúvida disso. (…)Tenho certeza de que as pessoas vão estar dispostas a pagar por isso. Porque é um serviço valioso”, afirmou numa entrevista ao Estado de São Paulo em 2010 e nesta segunda-feira recordada pelo jornal.
 
 
 
 

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