"Atirador de Toulouse" disse à polícia francesa que amava a morte

Merah tinha 23 anos, era francês, filho de pais argelinos Foto: Reuters

O islamista Mohamed Merah, o “atirador de Toulouse”, disse à polícia francesa durante o cerco a sua casa e que terminou com a sua morte: “Saibam que têm diante de vós um homem que não tem medo de morrer. Eu amo a morte como vocês amam a vida”.

Estas declarações foram publicadas pelo canal francês TF1 durante a transmissão do programa Sept à Huit, que emitiu este domingo fragmentos das conversas que o atirador manteve com os agentes da unidade de contra-espionagem que acabaram por o abater a tiro em sua casa, em Toulouse, no passado dia 22 de Março.

Merah tinha 23 anos, era francês, filho de pais argelinos, e foi morto após um cerco policial que durou mais de 30 horas. Confessou ter ligações à rede terrorista Al-Qaeda e ser o autor dos ataques que ocorreram a 11, 15 e 19 de Março na região de Toulouse, os dois primeiros contra militares e o último numa escola judaica onde foram mortas três crianças e um dos seus professores.

Quase quatro meses após este drama em solo francês, pode ouvir-se Merah a dizer nas gravações agora tornadas públicas: “Não fiz tudo isto para me deixar apanhar. Agora negociamos, ok? E mais logo, depois das negociações, não se esqueçam que tenho as armas na mão, que sei o que se vai passar e como vocês actuam quando intervêm. Sei que me podem matar, mas é um risco que assumo”.

A imagem das autoridades francesas – e mais concretamente dos serviços secretos e de contra-espionagem – fica bastante prejudicada após a audição destas gravações. O ministro do Interior já veio a público, aliás, lamentar a divulgação das gravações, nas quais Merah faz troça das autoridades. O islamista recorda que, quando mostrou à polícia as fotografias das suas viagens ao Afeganistão e ao Paquistão, não podia acreditar que os agentes tivessem pensado realmente que ele tinha ido a esses locais em turismo. “Vocês pensam realmente que se vai a esses locais em turismo? Cometeram o maior erro das vossas carreiras”, exclamou Merah.

O ministro francês do Interior, Manuel Valls, sublinhou igualmente que é conveniente perguntar como é que a TF1 obteve as gravações feitas pela polícia e que nunca foram tornadas públicas.

O islamista indicou, durante as muitas horas de cerco que resultaram em quatro horas e meia de gravações, que conheceu no Paquistão muitos “irmãos da al-Qaeda” e numerosos “jihadistas europeus”, incluindo “alemães, franceses e espanhóis”.

Merah afirmou que a sua prioridade era matar militares, porque estes tinham lutado contra os seus irmãos “jihadistas” no Afeganistão. O atacante admitiu também que tinha outros atentados em mente, não descartando a hipótese de entrar em postos de polícia e matar quem aí estivesse e até assassinar pessoas ao acaso pela rua.

Um dos momentos que mais impressiona, porém, é quando Merah explica que o ataque contra a escola judaica de Toulouse foi uma decisão de última hora, depois de não ter conseguido matar um militar. “Peguei na moto e passei, sem querer, pela escola. Não foi premeditado. Enfim, contava fazê-lo, mas quando me levantei essa manhã não era o meu objectivo”.

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