É uma proeza mas não é uma novidade para Yuichiro Miura. Aos 80 anos, o alpinista japonês tornou-se, pela segunda vez, a pessoa mais velha a conseguir alcançar o cume do Evereste. “É a melhor sensação do mundo”, admitiu depois de ter subido os 8848 metros necessários para chegar ao topo da montanha mais alta do mundo. Mas o octogenário admitiu que nunca esteve tão cansado na vida.
“Nunca pensei chegar ao topo do Evereste aos 80 anos. É a melhor sensação do mundo chegar aqui mas agora estou completamente exausto”. O desabafo de Yuichiro Miura, feito através de telefone por satélite para a sua família e amigos em Tóquio, surge depois de ter chegado ao cume pelas 3h15 desta quinta-feira, acompanhado por três outros japoneses, incluindo o seu filho Gota, e seis guias sherpas nepaleses.
Esta não foi a primeira vez que Yuichiro Miura subiu o Evereste, localizado na cordilheira do Himalaia, na fronteira entre a China e o Nepal. Em 1970 tornou-se a primeira pessoa a esquiar naquela montanha a partir de um ponto situado a 8000 metros de altitude. A sua proeza resultou cinco anos depois no documentário The Man Who Skied Down Everest, de Bruce Nyznik e Lawrence Schiller, que em 1976 ganhou o Óscar para Melhor Documentário.
Esta também não foi a primeira vez que Miura ficou registado como a pessoa mais velha a alcançar o cume daquela montanha. Em 2003, aos 70 anos, atingiu o topo e entrou para o Livro dos Recordes Guinness. Perdeu o título quatro anos depois para um outro japonês, que aos 71 anos conseguiu a mesma proeza. Em 2008, um nepalês, na altura com 76 anos, ultrapassou os dois japoneses e foi a sua vez de entrar no Guinness.
Yuichiro Miura voltou a “trepar” o Evereset aos 75 anos mas só agora, aos 80, a subida lhe permitiu regressar ao “número um” do Guiness. Mas pode ser por pouco tempo. É que Min Bahadur Sherchan, o nepalês que até agora ocupava esse lugar, prepara-se para regressar ao Evereste no próximo fim-de-semana. Em Junho, Min Bahadur Sherchan faz 82 anos e se for bem sucedido volta a ser a pessoa mais velha a chegar ao “tecto do mundo”.
Em Abril último, numa antecipação aos jornalistas sobre a sua viagem, Miura afirmava que “bater o recorde não é o mais importante”. “O importante é chegar ao topo”, sublinhou, perante a ameaça de perder em breve o título para Min Bahadur Sherchan. Após ter alcançado o seu objectivo, o japonês parece manter essa posição. Nas primeiras delcarações depois de ter chegado ao cume, o recorde não é referido. “Posso ver a paisagem do Himalaia sob mim. Agradeço a todo o mundo pelo apoio que recebi”, disse.
Miura não deverá ficar por aqui. A mulher do japonês, Tomoko, também com 80 anos, quer apenas que o marido regresse a casa. “Não sei se deveria estar feliz ou não por ter um marido como este, com tantos sonhos. É o género de pessoa que faz aquilo em que acredita, não lhe importa o que as pessoas dizem”.
A filha de Miura, Emiri, de 52 anos, acredita que o pai continuará as suas missões “mesmo quando tiver 90 ou 100 anos”. A idade não parece ser um problema na família Miura. O pai do japonês, Keizo, desceu a esquiar o Monte Branco, nos Alpes, aos 99 anos.

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