E os balões desceram sobre a convenção republicana: Mitt Romney fez o discurso da sua consagração como candidato presidencial na quinta-feira à noite lançando um apelo muito directo aos americanos que votaram em Barack Obama há quatro anos e estão desapontados com o Presidente democrata.
“Deixem-me fazer-vos uma pergunta simples: Se vocês sentiram entusiasmo quando votaram em Barack Obama, não deviam também sentir-se assim agora que ele é Presidente?”, perguntou o ex-governador do Massachusetts. “Vocês sabem que há qualquer coisa de errado com o trabalho que ele fez como Presidente quando a melhor sensação que tiveram foi o dia em que votaram nele.”
Nesse momento, Mitt Romney não estava a falar para os milhares de republicanos presentes na convenção republicana que terminou na quinta-feira em Tampa, na Florida. Estava a falar para os americanos que, nas sondagens, dizem gostar de Obama mas não têm a certeza se vão votar nele. Estava a falar para os eleitores indecisos que poderão determinar o desempate numa corrida eleitoral que se tem mantido taco-a-taco desde o primeiro momento – e assim continua, a apenas dois meses das presidenciais americanas.
Falando para a maior plateia que já teve desde o início da sua campanha, e para a maior audiência televisiva, Mitt Romney, 65 anos, prometeu resolver os problemas económicos da América – que atribuiu à presidência de Obama – dizendo que o que o país “precisa hoje não é nada complicado ou profundo”. “O que a América precisa é de empregos. Muitos empregos.”
No seu discurso, o candidato republicano, que já tentara a corrida presidencial há cinco anos mas não conseguiu sobreviver às primárias, ofereceu várias críticas à actuação de Obama. Disse que gostaria que Obama tivesse sido bem-sucedido porque quer o melhor para a América. Mas Obama não só “esmagou a classe média”, disse, como “há hoje mais americanos que acordam pobres do que alguma vez houve”.
Romney disse que os eleitores não tinham de “aceitar isso” e prometeu um futuro melhor, se for eleito. “O Presidente Obama prometeu fazer recuar o avanço dos oceanos e curar o planeta. A minha promessa é... ajudar-vos a vocês e à vossa família.”
“Ele disse-nos o que queríamos ouvir”, disse Sherrill Tomasino, uma republicana de 68 anos, ao PÚBLICO, no final do discurso. “Que precisamos de uma mudança.” Change? Esse não foi o slogan de Barack Obama há quatro anos? “Sim, mas estamos pior do que estávamos na altura. Precisamos de uma mudança, mas não a mudança que tivemos.”

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