Ministro sírio anuncia que regime tenciona participar em conferência de paz

Reunião de Genebra seria o primeiro momento em que a oposição e o governo se sentariam frente a frente. Divisões na oposição podem pôr em causa realização do encontro.

É grande a incerteza sobre conferência que procuraria solução para a guerra na Síria AFP

O governo de Bashar al-Assad tenciona participar, "em princípio", na conferência internacional de paz sobre a Síria, prevista para Junho em Genebra, na Suíça, confirmou neste domingo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Walid Mouallem.

A conferência foi referida pelo ministro como uma “boa oportunidade” para encontrar uma solução para a guerra que já matou mais de 94 mil pessoas e obrigou seis milhões a fugir.

“A Síria vai participar, em princípio na conferência internacional planeada para Junho em Genebra”, disse Moualem aos repórteres em Bagdad, onde chegou na manhã deste domingo. “Pensamos que o encontro é uma boa oportunidade para resolver a crise na Síria”, afirmou, citado pela Reuters, depois de se reunir como o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki e com o seu homólogo iraquiano.

Para este domingo está também anunciado em Paris um encontro entre o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, e os chefes da diplomacia dos Estados Unidos, John Kerry, e da Rússia, Serguei Lavrov.

“Parece que do lado do regime de Bashar al-Assad foram avançados nomes” para estarem presentes nas negociações, disse Fabius, dizendo esperar que a coligação de oposição síria, reunida em Istambul, possa fazer o mesmo.

A reunião de Genebra seria o primeiro momento em que a oposição e o governo de Damasco se sentariam frente a frente. A iniciativa da conferência é russa e americana e envolveria diversos países. Na sexta-feira, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez saber que está convencido de que Assad enviará a Genebra representantes. Porém, o que parece estar em causa agora é a realização do encontro.

A oposição está reunida desde quinta-feira em Istambul, na Turquia, para decidir se participa e o que levará para as negociações. Mas o entendimento está difícil. A guerra de influência das potências regionais provocou um impasse na reunião em que a Coligação Nacional Síria (o principal grupo de oposição que tem o apoio do Ocidente) devia decidir se vai ou não à conferência.

Laurent Fabius reafirmou também este domingo as reservas da França à participação do Irão na conferência, o que é defendido pela Rússia. “Na medida em que o Irão não deseja um solução política, a participação desse país […] pode impedir, mais do que favorecer, uma solução política”.
 

Comentários

Comentar

Inicie sessão ou registe-se gratuitamente para assinar os comentários.

Caracteres restantes:

Nos Blogues