Mais de 25.000 gregos saíram à rua nesta quinta-feira em Atenas, naquela que é a segunda greve geral em três semanas. Protestam contra a austeridade, contra novos cortes nos salários e nas pensões. Isto no mesmo dia em que os líderes europeus estão reunidos em Bruxelas.
Nos protestos que em Salónica juntaram outras 17.000 pessoas, morreu um homem de 66 anos, de ataque cardíaco, noticiou a AFP.
Em Atenas, a polícia mobilizou 4000 agentes para proteger os ministérios e impedir que os manifestantes chegassem ao Parlamento, numa jornada de luta convocada pelos dois principais sindicatos gregos.
Mas os confrontos não tardaram. Um pequeno grupo de manifestantes obrigou os polícias a recuar quando estes bloqueavam as entradas dos grandes hotéis da praça Syntagma, junto ao Parlamento, no centro de Atenas. A polícia respondeu com gás lacrimogénio.
“Já chega. Eles cavaram os nossos túmulos, empurraram-nos e agora estamos à espera que o padre diga as últimas palavras”, disse à agência Reuters Konstantinos Balomenos, um homem de 58 anos que trabalha numa empresa fornecedora de água e viu o salário reduzido a metade, com dois filhos desempregados.
“Esta austeridade está a fazer de todo o Sul da Europa rebelde, a zona euro será destruída. Pedem-nos que paguem por aquilo que os nossos políticos roubaram”, acrescentou.
A Grécia está há cinco anos em recessão e atravessa a pior crise desde a II Guerra Mundial. Com o dinheiro a acabar no próximo mês, o Governo terá de fazer novos cortes na ordem dos 11.500 milhões de euros para receber a próxima tranche de ajuda financeira.
A revista Der Spiegel noticiou entretanto que apesar de o Governo alemão ainda estar à espera do relatório dos inspectores da troika, a decisão para transferir a tranche de Novembro de um total de 130 mil milhões de euros já foi tomada. Segundo a revista, a França e a Alemanha querem transferir 31,5 mil milhões de euros para uma conta bloqueada no Banco da Grécia, para garantirem que Atenas pagará as suas dívidas.
“Aceitar medidas catastróficas significa conduzir a sociedade ao desespero e as consequências, assim como os protestos, serão imprevisíveis”, avisou Yannis Panagopoulos, líder da Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos (GSEE), citado pela Reuters. “O novo e doloroso pacote de medidas não deve ser aprovado”, afirmou por sua vez num comunicado a Confederação dos Trabalhadores da Função Pública (ADEDY).

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