Milhares celebram aniversário da revolta egípcia na Praça Tahrir

Um ano após o derrube de Mubarak muitos egípcios sentem que a revolta não concretizou ainda as suas aspirações de democracia Suhaib Salem/Reuters

Dezenas de milhares de egípcios de todas as facções políticas e sociais acorrem hoje à Praça Tahrir, embrião da revolta popular que depôs há um ano o regime autocrático de Hosni Mubarak no Egipto.

A data simbólica do 25 de Janeiro, antes assinalada no país como o Dia da Policiam tornou-se agora num informal “dia da revolução” e decretado feriado em homenagem às manifestações que acabaram por ganhar um fôlego imparável e conduziram ao fim do regime (a 11 de Fevereiro).

Islamistas, liberais, partidários da esquerda e cidadãos de todas as origens estão na praça símbolo da revolução, no coração do Cairo, depois de uma noite de chuvas muito fortes – saudadas por muitos como “um bom presságio”.

Todos celebram a queda de Mubarak, mas nos cartazes que empunham, com as diversas mensagens, expressam também os desacordos: à cabeça muitos grupos pró-democracia, motores da revolta no ano passado, que dizem estar hoje na Tahrir para continuar a revolução, que consideram não ter ainda alcançado os objectivos e exigir a partida do poder do Conselho Supremo das Forças Armadas, que permanece a governar o Egipto desde o fim do regime.

Na terça-feira, o chefe do Conselho, marechal Hussein Tantawi, anunciou o fim parcial do estado de mergência no Egipto, em vigor sem suspensões desde 1981, aquando do assassinato do Presidente Anwar Sadat (e antes disso, mas com algumas interrupções, desde 1967). A medida visa apaziguar os manifestantes, sendo esperados enormes protestos hoje, na data simbólica, sobre a continuação dos militares no poder.

As forças de segurança avisaram estar em estado de alerta, para a eventualidade de “tentativas de sabotagem” das celebrações do aniversário da revolta, mas o Ministro do Interior garantiu também que não haveria nenhuma presença policial nas ruas junto à Praça Tahrir.

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