A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, concordaram em discordar em relação à questão dos colonatos.
A relação especial entre a Alemanha e Israel azedou com a abstenção de Berlim na votação na Assembleia Geral da ONU que deu o estatuto de Estado observador à Palestina. A Alemanha justificou a decisão dizendo que não tinha conseguido obter garantias do Governo israelita em relação ao congelamento da construção nos colonatos.
O clima piorou ainda mais com o anúncio de Israel de que se prepara para recomeçar a construir num sector especialmente sensível conhecido como E1 (que na prática dividira o Norte e o Sul da Cisjordânia cortando ainda o território de Jerusalém Oriental, que os palestinianos querem para futura capital). Este anúncio levou a que Londres e Paris chamassem os representantes diplomáticos de Israel para lhes comunicar o seu desagrado com a decisão da construção de mais 3000 casas nos colonatos em território ocupado.
Foi neste contexto que Merkel e Netanyahu se encontraram, numa visita de dois dias a Berlim do primeiro-ministro israelita, reunindo-se durante três horas e meia, mais duas do que o previsto. Na conferência de imprensa conjunta, Merkel concluiu o tópico “colonatos”, dizendo: “concordámos discordar”. “Na Alemanha acreditamos que se deve continuar o trabalho para uma solução de dois estados, temos de tentar chegar a negociações e evitar acções unilaterais.”
“Desta conversa ficou claro que a chanceler Merkel é uma verdadeira amiga de Israel, cujo compromisso para com a segurança de Israel é genuíno e incondicional”, disse pelo seu lado Netanyahu. “Foi uma conversa aberta”, concluiu. Netanyahu tinha falado, em entrevista do diário Die Welt, do seu “desapontamento” pela abstenção alemã. “Penso que as pessoas percebem que há uma relação especial entre a Alemanha e Israel”, comentou.
Peres diz que Abbas "é parceiro sério"
Enquanto isso, em Israel, o Presidente israelita (e Prémio Nobel da Paz) Shimon Peres veio defender o líder da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, e a sua decisão de levar a questão palestiniana à ONU, dizendo que ele é “um parceiro sério” para a paz. Peres toma assim um aposição oposta à de Netanyahu, que tem criticado Abbas apresentando-o como alguém que não quer a paz (classificando por exemplo o seu discurso na ONU como "venenoso"). Na conferência com Merkel, Netanyahu disse apenas “esperar que [Abbas] abandone o unilateralismo”.
Peres não deixou de criticar o timing do líder palestiniano. “Mas ele sentiu-se abandonado por nós, pela América, pela Europa e pelo resto do mundo e queria fazer algo”, justificou. “Creio que continua a ser um parceiro sério”, concluiu o Presidente israelita, que, nota a AFP, aos 89 anos é um dos últimos pais fundadores de Israel.
Do lado palestiniano, o rei da Jordânia fez uma rara visita à Cisjordânia para mostrar o seu apoio aos palestinianos. O Rei Abdullah, aliado dos EUA e que tem um dos dois únicos tratados de paz da região com Israel (o outro país é o Egipto) não fez comentários após a sua chegada, de helicóptero, a Ramallah.

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