O Paquistão começou a olhar para os seus próprios casos de violência sexual depois da indignação colectiva provocada pelo caso da violação em grupo de uma estudante na vizinha Índia ter tido grande eco no país vizinho.
Um jornal paquistanês, o Express Tribune, noticiava o caso de uma menina de 9 anos que ficou em estado grave depois de ter sido violada por três homens no estado do Punjab, depois de ter sido sequestrada na terça-feira. A mãe da menina encontrou-a inconsciente e a sangrar profusamente em frente a casa, levando-a para o hospital, onde continua em estado crítico.
A mãe foi ainda ameaçada por um dos violadores antes de se dirigir à polícia para relatar o sucedido. Ainda não foram efectuadas detenções de suspeitos.
O Express Tribune, após a atenção dada ao caso de Nova Deli, fez uma análise dos 150 casos de violação que noticiou – uma ínfima parte dos registados e dos casos reais, já que a vergonha e a pressão social levam a um pequeno número de queixas face ao número real de casos.
No estado do Punjab, entre Janeiro e Novembro de 2012, foram registados 2713 casos de violência contra mulheres, segundo a Fundação para o desenvolvimento Awaz.
Raptos, até de doentes de hospital
Numa leitura rápida desta lista do jornal paquistanês notam-se muitos casos de violação de menores (seis anos, nove anos), de violações em grupo em que as vítimas, muitas vezes agredidas durante vários dias, são depois abandonadas semi-consciente, e por vezes semi-vestidas, na rua ou em descampados; há vários relatos de violação de menores em lojas ou mercearias quando vão comprar leite ou fruta, de uma doente raptada por um funcionário do hospital onde estava internada, de ataques por parte da polícia (muitos em grupo), de ataques por familiares ou como parte de uma vingança familiar ou acerto de contas (“mulher ‘oferecida’ pelo marido para pagar empréstimo”, por exemplo).
Há descrições de violações de rapazes (sobretudo menores, crianças), de crianças surdas-mudas, ou com deficiências físicas. Em vários casos as violações são seguidas de assassínio, com cadáveres a aparecerem com os olhos arrancados, e há relatos de humilhações como filmes e fotografias da vítima a ser violada, ou tortura como queimaduras de cigarros.
Há muito mais notícias de casos em que apenas um suspeito numa violação de grupo é encontrado, e outros em que os suspeitos são absolvidos. Uma notícia de Fevereiro de 2012 dá conta de uma média de três ataques a crianças por dia.

Comentar