Mario Monti anuncia que quer "renovar a política"

Monti deseja ser um candidato de consenso e juntar o centro. A prioridade, diz, é "renovar a política".

GEORGES GOBET/AFP

O comunicado que Mario Monti, que chefia o Governo demissionário de Itália, divulgou esta quarta-feira no Twitter não é claro. Diz que deseja unir o centro e "salvar" a Itália. Mas não diz, directamente, que será candidato nas eleições de Fevereiro de 2013.

"Juntos vamos salvar a Itália da catástrofe. Mas agora é preciso renovar a política. E é preciso que todos se envolvam".

Os analistas disseram que a mensagem "parece" confirmar o que já se adivinhava - que vai a eleições. O ex-comissário europeu e membro permanente do Senado italiano (câmara alta do Parlamento) dirige, actualmente, um governo de técnicos. Não foi eleito, foi nomeado pelo Presidente Giorgio Napolitano, depois de o então chefe do Governo, Silvio Berlusconi, ter sido forçado a demitir-se devido à galopante crise financeira. O Governo técnico de Mario Monti caíu precisamente porque Berlusconi lhe retirou o apoio parlamentar do seu Partido da Liberdade (PdL).

As eleições realizam-se nos dias 24 e 25 de Fevereiro e Monti espera reunir o apoio do centro — Berlusconi anunciou que seria candidato, mas que poderia repensar a decisão se Monti avançasse como unificador do centro-direita. Antecipava-se ao isolamento político a que ficaria votado e que se confirmou, como notava uma análise da AFP — Berlusconi, que se apresentaria pela sexta-vez a eleições em 18 anos, está sozinho, não sendo consensual nem no PdL.

O que o ainda primeiro-ministro italiano pediu foi uma "coligação de forças reformadoras", tendo dias antes apresentado um programa que deveria ser apoiado para aceitar candidatar-se. Ao programa chamou "Mudar a Itália, Reformar a Europa" e um dos pontos iniciais desta agenda para solucionar todos os problemas italianos diz que tem que haver "reconciliação entre a política e os cidadãos, reduzindo-se as ajudas públicas aos partidos e aos grupos parlamentares". Há medidas concretas sobre a promoção do papel da mulher na sociedade ou a defesa do meio ambiente.

Mal Monti esclareça se a mensagem é, de facto, um anúncio de candidatura, a estrutura do aparelho legislativo italiano obrigará a que um partido, ou uma coligação de partidos, defina que Monti é seu cabeça de lista especificamente para ocupar o lugar de primeiro-ministro caso consiga a vitória — isto porque Monti não é elegível como deputado pois é senador vitalício; na verdade é ele quem tem que autorizar que o seu nome seja usado.

A batalha que se adivinha — e as listas devem estar prontas no final da segunda semana de Janeiro — pode ser a do consenso e há já cenários em que o líder da esquerda, Pier Luigi Bersani, não surge como o grande adversário de Monti nas eleições de Fevereiro mas como um "aliado" e integrante de um futuro governo presidido pelo senador, como presidente do Conselho ou ministro da Economia.
 
 

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