Milhares de manifestantes desfilaram esta sexta-feira em várias cidades da Albânia para pedir eleições antecipadas e a queda do Governo do primeiro-ministro Sali Berisha. Um representante da União Europeia para os Balcãs deslocou-se ao país para se encontrar com representantes do Governo e da oposição e procurar conter a escalada dos protestos.
As manifestações decorreram em várias cidades, e de acordo com os dados disponibilizados pela polícia, citados pela AFP, os protestos juntaram cerca de 3000 pessoas em Tirana, 3500 em Vlora, 2000 em Korça e 600 em Lezha. Não houve registo de confrontos violentos, mas nas várias cidades desfilaram cartazes com apelos aos albaneses para se unirem contra o Governo e pedidos de eleições antecipadas.
Em Tirana a manifestação teve à frente o líder da oposição socialista e presidente da autarquia, Edi Rama, acompanhado de alguns deputados, e também noutras cidades os protestos foram acompanhados por parlamentares socialistas.
Nos últimos dias a capital albanesa tem sido palco de vários protestos e confrontos que, a 21 de Janeiro, resultaram em três mortos e vários feridos. Nesse dia saíram à rua cerca de 200 mil manifestantes, segundo a organização. Mas a crise política e o descontentamento já se prolonga desde as eleições de 2009, marcadas por acusações de fraude por parte da oposição, que não reconheceu os resultados nem a eleição de Sali Berisha.
As próximas eleições estão previstas para 2013, uma data que a oposição não parece disposta a aceitar. Esta quinta-feira o representante da chefe da diplomacia europeia Catherine Ashton para os Balcãs, Moroskav Lajcak, esteve em Tirana, pela segunda vez em cinco dias e pediu aos albaneses para evitarem “qualquer tipo de violência e retórica inflamada” e respeitarem o Estado de direito.
Após os protestos desta sexta-feira, Edi Rama apelou aos albaneses para voltarem a sair à rua na próxima sexta-feira, em várias cidades. “A oposição vai continuar os seus protestos pacíficos para fazer o país sair desta crise que se agrava de dia para dia”, disse aos manifestantes. E adiantou: “As eleições antecipadas constituem a única possibilidade de o país sair desta crise”.
O líder da oposição pediu ainda que sejam executados os mandados de detenção emitidos contra seis membros da Guarda Republicana acusados de disparar contra manifestantes nos protestos de 21 de Janeiro. E também o Comité para a Prevenção da Tortura do Conselho da Europa já enviou representantes à Albânia para uma visita de três dias em que deverão averiguar a forma como foram tratados os manifestantes detidos durante os protestos, dos quais 35 estarão ainda na prisão.

Comentários